Um produto ideológico faz parte de uma realidade (natural ou social ) como todo o corpo físico, instrumento de produção ou produto de consumo; mas, ao contrário destes, ele também reflete e retrata uma realidade, que lhe é exterior. Tudo o que é ideológico possui um significado e remete a algo situado fora de si mesmo. Em outros termos, tudo o que é ideológico é um signo. Sem signos não existe ideologia
(Mikhail Bakhtin, Marxismo e Filosofia de Linguagem)
Alguns comentários sobre o meio e a mensagem na internet.

quarta-feira, 30 de julho de 2014

Com a Palavra o Grande Irmão Sionista - O Anão Berrador


Propaganda para encobrir as atrocidades: 
Como Israel “noticia” os próprios crimes de guerra



Os porta-vozes israelenses já têm muito trabalho tentando explicar como os israelenses assassinaram mais de 1.000 palestinos em Gaza, a maioria dos quais civis, em comparação com apenas 3 civis mortos em Israel por foguetes e fogo de morteiro do Hamás. Mas pela televisão e pelo rádio e pelos jornais, porta-vozes do governo israelense hoje, como Mark Regev, parecem menos enroladores e menos agressivos que predecessores, que eram muito mais visivelmente indiferentes ao número de palestinos mortos.


Há pelo menos uma boa razão para esse “aprimoramento” das capacidades de Relações Públicas dos porta-vozes de Israel. A julgar pelo que se os veem dizer, já estão trabalhando conforme um estudo feito por profissionais, bem pesquisado e confidencial, sobre como influenciar a mídia e a opinião pública nos EUA e na Europa.



Redigido pelo especialista em pesquisas e estrategista político dos Republicanos, Dr. Frank Luntz, aquele estudo foi encomendado há cinco anos por um grupo chamado “The Israel Project” [Projeto Israel], que mantém escritórios nos EUA e em Israel, para ser usado “por todos que estão na linha de frente da guerra midiática a favor de Israel”.



Cada uma das 112 páginas do folheto é marcada com “proibido distribuir ou publicar” [orig. “not for distribution or publication”], e é fácil entender por quê. O relatório Luntz – oficialmente intitulado “Dicionário de Linguagem Global do Projeto Israel 2009” [orig. “The Israel project’s 2009 Global Language Dictionary] vazou quase imediatamente para Newsweek Online, mas até hoje só muito raramente mereceu atenção, e sua verdadeira importância ainda mão foi devidamente considerada.

Deveria ser leitura obrigatória para todos, sobretudo para jornalistas interessados em conhecer a política de Israel, por causa da lista de “Faça/diga X” e “Nunca faça/diga Y” dirigida aos porta-vozes de Israel.

Dr. Frank Luntz

Aquelas duas listas são altamente iluminadoras para que se compreenda a distância imensa que separa o que funcionários e políticos israelenses pensam e creem, e o que eles dizem; o que eles dizem é modelado por pesquisa mantida ativa minuto a minuto, para detalhar o que os norte-americanos desejam ouvir. Com certeza, nenhum jornalista deveria arriscar-se a entrevistar qualquer porta-voz de Israel sem conhecer muito bem aquele manual e ter-se preparado para contra-perguntar sobre os muitos temas – e sempre com as mesmas palavras e frases – que se ouvem hoje da boca do Sr. Regev e seus colegas.

O panfleto é cheio de saborosos conselhos sobre como eles devem modelar suas respostas, para diferentes audiências. Por exemplo, o estudo diz que:

(…) os norte-americanos aceitam que “Israel tem direito a ter fronteiras defensáveis”. Mas Israel não tem vantagem alguma em definir com precisão que fronteiras são essas. Evitem falar em fronteiras em termos de pré- ou pós-1967, porque isso só faz relembrar aos norte-americanos o passado militar de Israel. Essa expressão prejudica os israelenses, sobretudo no campo da esquerda. Por exemplo, o apoio da direita israelense a fronteiras defensáveis cai de 89% para menos de 60% sempre que vocês falam em termos de 1967.

E quanto ao direito de retorno dos refugiados palestinos que foram expulsos ou fugiram em 1948 e nos anos seguintes, e que nunca mais puderam retornar às próprias casas e terras? Aqui, o Dr. Luntz é muito sutil nos conselhos que dá aos porta-vozes israelenses; diz que

(…) o direito de retorno é questão difícil para que os israelenses falem dela com eficácia, porque praticamente toda a linguagem israelense soa muito semelhante à fala de “separados, mas iguais” dos racistas segregacionistas dos anos 1950s e dos defensores do Apartheid nos anos 1980s. De fato, os norte-americanos não gostam, não acreditam nisso e não aceitam o conceito de “separados, mas iguais”.

Assim sendo, como devem os porta-vozes enfrentar questões que até o manual considera “difíceis”? Recomendam que a coisa seja chamada de “demanda” – porque os norte-americanos detestam gente que faz demandas. O manual ensina:

Digam portanto: “os palestinos não estão satisfeitos com o estado que têm. Agora, estão demandando mais territórios dentro de Israel”.

Outras sugestões para resposta israelense efetiva incluem dizer que o direito de retorno deve ser item de um acordo final “algum dia, no futuro”.

O Dr Luntz observa que os norte-americanos em geral temem qualquer imigração em massa para dentro dos EUA, 
portanto falem sempre de “imigração palestina em massa para dentro de Israel” – e os norte-americanos sempre rejeitarão a ideia. Se mais nada funcionar, digam que a volta dos palestinos faria “descarrilhar o esforço para alcançar a paz”.

O relatório Luntz foi redigido logo depois da Operação Chumbo Derretido em dezembro de 2008 e Janeiro de 2009, quando morreram 1.387 palestinos e nove israelenses.

Um capítulo inteiro é dedicado a:

Isolar o Hamás, apoiado pelo Irã, como obstáculo à paz.



Como funciona a propaganda - 


Infelizmente, agora, quando está em curso a Operação Fio Protetor, iniciada dia 6 de junho de 2014, e nova matança de palestinos, há um problema grave para a propaganda de Israel, porque o Hamás está rompido com o Irã por causa da guerra na Síria e está completamente sem contato com Teerã. Só reataram relações amistosas há poucos dias – e por causa da invasão israelense.



Muitos dos conselhos do Dr Luntz tratam do tom e do modo de expor o pensamento de Israel. Diz que é absolutamente crucial mostrar vastíssima simpatia pelos palestinos:



Os persuasíveis [sic] não dão importância ao que você saiba, até que se convençam de que você lamenta muito, do fundo do coração, toda a situação. Mostre empatia PELOS DOIS LADOS!


Isso provavelmente explica por que tantos porta-vozes israelenses vão praticamente às lágrimas quando falam do sofrimento dos palestinos bombardeados por bombas e mísseis israelenses.


Em frase escrita em negrito, sublinhada e toda em maiúsculas, o Dr Luntz diz que os porta-vozes ou líderes políticos israelenses NÃO DEVEM, NÃO PODEM, nunca, de modo algum, justificar o massacre deliberado de mulheres e crianças inocentes, e devem reagir agressivamente contra qualquer voz que acuse Israel por tal crime. Vários porta-vozes israelenses esforçaram-se muito para seguir esse conselho na 5ª-feira passada (24/7/2014), quando 16 palestinos foram mortos num abrigo da ONU em Gaza.


Há uma lista de palavras e frases a serem usadas e uma lista de palavras e frases a serem evitadas. Há de tudo, p. ex.:


"O melhor meio, o único meio, para alcançar paz duradoura, é alcançar respeito mútuo"


O mais importante é que o desejo de paz de Israel com os palestinos tem de ser sempre enfatizado, porque é o que os norte-americanos mais querem que aconteça. Mas se se observarem pressões para que Israel realmente faça alguma paz, a pressão deve ser imediatamente reduzida; nesse caso, os israelenses devem dizer:

"(…) um passo de cada vez, um dia depois do outro."

Expressões que serão facilmente aceitas como abordagem de bom senso, para a equação:


"Deem-nos A TERRA, que lhes damos a paz."


O Dr Luntz cita como exemplo de “pegada israelense muito eficaz” a seguinte frase:

"Quero muito particularmente falar às mães palestinas que perderam seus filhos. Nenhum pai ou mãe deveria ter de enterrar suas crianças."

O estudo admite que o governo israelense não quer, de fato, qualquer solução de dois estados, mas diz que isso não pode ser declarado publicamente, porque 78% dos norte-americanos são favoráveis àquela solução. Devem-se enfatizar sempre as muitas esperanças de que os palestinos progridam economicamente.

O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu é citado com elogios, por ter dito que:


"Já é hora de alguém perguntar ao Hamás: o que, afinal, estão fazendo para melhorar a vida de seu povo."

A hipocrisia, aí, é inacreditável: é Israel, com os sete anos de bloqueio econômico que impõe a Gaza, quem reduziu Gaza ao estado de pobreza e miséria em que vive hoje.


Em todos os casos e ocasiões, o modo como porta-vozes israelenses apresentam os fatos é planejado para dar a norte-americanos e a europeus a impressão de que Israel desejaria muito a paz com os palestinos e estaria disposta a ceder para chegar à paz. Todas as evidências, e também o Manual do Dr. Luntz, sugerem que tudo aí, são MENTIRAS. Embora não tenha sido requisitado ou produzido com essa finalidade, poucos estudos mais reveladores foram jamais escritos sobre a Israel contemporânea, em tempos de guerra e paz.



28/7/2014, [*] Patrick Cockburn, Counterpunch
The Secret Report That Helps Israelis Cover Atrocities: How Israel Spins War Crimes
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu


[*] Patrick Cockburn (nasceu 5/3/1950) é um jornalista irlandês que tem sido correspondente no Oriente Médio desde 1979 para o Financial Times e, atualmente, The Independent. Está entre os comentaristas mais experientes no Oriente Médio; escreveu quatro livros sobre a história recente do Iraque. Recebeu o vários prêmios por seu trabalho incluindo o Prêmio Gellhorn Martha em 2005, o Prêmio James Cameron em 2006 e o Prêmio Orwell de Jornalismo em 2009. Cockburn escreveu três livros sobre o Iraque: One, Out of the Ashes: The Resurrection of Saddam Hussein, escrito em parceria com seu irmão Andrew Cockburn, antes da guerra no Iraque. O mesmo livro foi mais tarde re-publicado na Grã-Bretanha com o título: Saddam Hussein: An American Obsession. Mais dois foram escritos por Patrick sozinho após a invasão dos EUA e após a sua reportagem premiada do Iraque. Escreve também para CounterPunch e London Review of Books.








sexta-feira, 18 de julho de 2014

Como a OTAN e os EUA pretendem deflagrar uma guerra mundial no quintal da Rússia




Uma guerra mundial se aproxima

Com os postos avançados da OTAN localizados no Leste Europeu e nos Bálcãs, o último amortecedor que faz fronteira com a Rússia está sendo dividido.


Porque toleramos a ameaça de uma nova Guerra Mundial? Porque permitimos mentiras que justificam esse risco? A escala da nossa doutrinação, escreveu Harold Pinter, é um “brilhante, até espirituoso e altamente bem sucedido ato de hipnose,” como se a verdade “nunca tivesse acontecido mesmo quando está acontecendo.”

Todo ano o historiador americano William Blum publica seu “sumário atualizado do relatório da polícia externa dos EUA” o qual mostra que, desde 1945, os EUA tentaram derrubar mais de 50 governos, muitos democraticamente eleitos; interferiu grossamente nas eleições de 30 países; bombardeou a civilização de 30 países; usou armas químicas e biológicas; e tentou assassinar líderes internacionais.

Em vários casos a Inglaterra colaborou. O nível do sofrimento humano, não só criminalmente falando, não é muito conhecido no Oeste, mesmo com a presença da comunicação mais avançada do mundo e do jornalismo mais ‘livre.’ Que as maiores vítimas do terrorismo – nosso terrorismo – são muçulmanos, é um fato.

Que o jihadismo extremo, que levou ao 11/9, foi nutrido como uma arma da polícia Anglo-Americana (Operação Ciclone no Afeganistão) é suprimido. Em abril o departamento de Estado dos EUA notou que, seguindo a campanha da OTAN em 2011, “Líbia se tornou um refúgio para os terroristas.”

O nome do “nosso” inimigo mudou com o passar dos anos, de comunismo para Islamismo, mas geralmente é qualquer sociedade independente do poder ocidental e que ocupa estrategicamente território útil ou rico em recursos.

Os líderes dessas nações obstrutivas são violentamente postos de lado, como os democratas Muhammad Mossedeq no Irã e Salvador Allende no Chile, ou são mortos como Patrice Lumumba no Congo.

Todos estão sujeitos a uma campanha midiática ocidental que os denigre e os caricatura – como Fidel Castro, Hugo Chávez, agora Vladimir Putin.




O papel de Washington na Ucrânia é diferente somente nas suas consequências para o resto de nós. Pela primeira vez desde os anos de Reagan, os EUA estão ameaçando iniciar uma guerra. Com os postos avançados da OTAN no Leste Europeu e nos Bálcãs, o último “amortecedor” que faz fronteira com a Rússia está sendo dividido. Nós do Ocidente estamos apoiando os neonazistas em um país onde os nazistas ucranianos apoiaram Hitler.

Tendo arquitetado o golpe em Fevereiro contra o governo eleito democraticamente em Kiev, o confisco da histórica e legítima base naval de águas mornas Russa na Criméia, falhou. Os Russos se defenderam como fizeram contra qualquer ameaça e invasão vindos do oeste por quase um século.

Mas o cerco militar da OTAN acelerou, junto com os ataques americanos orquestrados aos russos étnicos na Ucrânia. Se Putin pode ser provocado até pedir auxílio, seu papel pré-ordenado de ‘alheio’ vai justificar uma guerrilha coordenada pela OTAN que, provavelmente, vai cair em próprio território russo.

Ao invés, Putin frustrou o partido da guerra quando estava procurando acomodação com Washington e a União Européia, retirando tropas da fronteira ucraniana e insistindo para que os russos étnicos ao Leste da Ucrânia abandonassem o referendo da semana.

Essas pessoas que falam russo e os bilíngues – um terço da população ucraniana – tem solicitado há um tempo uma federação democrática que reflita as diversidades étnicas do país e que seja autônoma e independente de Moscou. A maioria não é nem separatista e nem rebelde, somente cidadãos que querem viver seguros em sua pátria.

Como as ruínas do Iraque e do Afeganistão, a Ucrânia se tornou um parque temático da CIA – dirigido pelo diretor da CIA, John Brennan, em Kiev, com ‘unidades especiais’ da CIA e do FBI criando uma ‘estrutura de segurança’ que fiscaliza possíveis ataques aos que se opuseram ao golpe em fevereiro.

Veja os vídeos, leia os relatórios das testemunhas do massacre em Odessa. Bandidos fascistas queimaram a sede do sindicato, matando 41 pessoas que estavam presas dentro. Assista a polícia ficar parada. Um médico disse tentar resgatar as pessoas, “mas fui impedido por nazistas radicais pró-Ucrânia. Um deles me empurrou e disse que logo todos os judeus em Odessa teriam o mesmo destino. Me pergunto porque o mundo está em silêncio”.

Ucranianos que falam Russo estão lutando para sobreviver. Quando Putin anunciou a retirada das tropas russas da fronteira, a secretária de defesa de Kiev – uma das fundadoras do partido fascista Svoboda – alertou que os ataques aos ‘insurgentes’ iriam continuar. De um jeito Orweliano, a propaganda no ocidente inverteu isso para Moscou “tentando orquestrar conflito e provocação,” de acordo com William Hague.

Seu cinismo combina com o ‘parabéns’ nojento de Obama à junta do golpe pela sua ‘memorável repressão’ seguindo o massacre em Odessa. Ilegal e fascista, a junta é descrita por Obama como ‘devidamente eleita.’ O que importa não é a verdade, disse Henry Kissinger uma vez, mas sim o que se percebe como verdade.

Na mídia norte-americana, a atrocidade de Odessa tem sido chamada de ‘sombria’ e ‘tragédia’ na qual ‘nacionalidades’ (neonazistas) atacaram ‘separatistas’ (pessoas que coletavam assinaturas para o referendo na federação Ucraniana).

O Wall Street Journal de Rupert Murdoch condenou as vítimas – “incêndio mortal na Ucrânia foi iniciado por rebeldes, diz Governo.’ As propaganda na Alemanha vem sendo como na Guerra Fria, com o Frankfurter Allgemeine-Zeitung alertando seus leitores da guerra “não declarada” da Rússia. Para os alemães, é uma ironia Putin ser o único líder a condenar a ascensão do fascismo na Europa do século 21.

Um truísmo popular é que “o mundo mudou depois do 11/9”. Mas o que mudou? De acordo com Daniel Ellsberg, um golpe silencioso aconteceu em Washington e quem comanda agora é o militarismo excessivo.

O Pentágono atualmente coordena as ‘operações especiais’ – guerras secretas – em 124 países. Em casa, elevando a pobreza estão os corolários históricos de um estado em guerra perpétua. Adicione o risco de uma guerra nuclear, e a pergunta é: por que toleramos isso?


segunda-feira, 14 de julho de 2014

Noam Chomsky e a herança de Hitler na Palestina




“Tudo isso vai continuar, enquanto for apoiado por Washington e tolerado pelo Ocidente – para nossa vergonha infinita”

Por Noam Chomsky, traduzido por Antonio Martins no Outras Palavras

Às três da madrugada (horário de Gaza), de 9 de julho, em meio ao último exercício de selvageria de Israel, recebi um telefonema de um jovem jornalista palestino em Gaza. Ao fundo, podia ouvir o lamúrio de seu filho pequeno, entre sons de explosões de de jatos, atirando sobre qualquer civil que se mova e sobre casas. Ele acabava de ver um amigo, num carro claramente identificado como “imprensa”, voar pelos ares. E ouvia gritos ao lado de sua casa, após uma explosão — mas não podia sair, ou seria um alvo provável. É um bairro calma, sem alvos militares – exceto palestinos, que são presa fácil para a máquina militar de alta tecnologia de Israel, abastecida pelos Estados Unidos. Ele contou que 70% das ambulâncias haviam sido destruídas e, até aquele momento, mais de 70 pessoas [o número subiu para 120 na sexta, 11/7, segundo o Guardian] haviam sido mortas e 300 feridas – cerca de 2/3, mulheres e crianças. Poucos ativistas do Hamas, ou instalações para lançamento de foguetes, haviam sido atingidas. Apenas as vítimas de sempre.

É importante entender como se vive em Gaza, mesmo quando o comportamento de Israel é “moderado”, no intervalo entre crises fabricadas, como esta. Um bom retrato está disponível num relatório da UNRWA (a agência da ONU para refugiados palestinos) preparado por Mads Gilbert, o corajoso médico norueguês que trabalhou extensivamente em Gaza, mesmo durante os ataques mortíferos de Israel. A situação é desastrosa, por todos os ângulos. Gilbert narra: “As crianças palestinas em Gaza sofrem imensamente. Uma vasta proporção é afetada pelo regime de desnutrição imposto pelo bloqueio israelense. A prevalência de anemia entre menores de dois anos é de 72,8%; os índices registrados de síndrome consuptiva, nanismo e subpeso são de 34,3%, 31,4% e 31,45%, respectivamente”. E estão piorando.

Quando Israel está em fase de “bom comportamento”, mais de duas crianças palestinas são mortas por semana – um padrão que se repete há 14 anos. As causas de fundo são a ocupação criminosa e os programas para reduzir a vida palestina a mera sobrevivência em Gaza. Enquanto isso, na Cisjordânia os palestinos são confinados em regiões inviáveis e Israel tomas as terras que quer, em completa violação do direito internacional e de resoluções explícitas do Conselho de Segurança da ONU – para não falar de decência.

E tudo isso vai continuar, enquanto for apoiado por Washington e tolerado pela Europa – para nossa vergonha infinita.




segunda-feira, 9 de junho de 2014

Acampamento Capitalista não pára de crescer nos EUA




Desde o aprofundamento da crise capitalista em 2008, o número de sem teto nos EUA vem crescendo exponencialmente. Calcula-se que o número de pessoas que não tem uma casa ascende a vários milhões. As crianças matriculadas no sistema público de educação, que não têm casa para morar, chega a 940.000 segundo dados oficiais. Se levarmos em consideração as crianças que moram em automóveis, edifícios abandonados e parques, esse número passa para 1,6 milhões de crianças, um aumento de 38% nos últimos quatro anos. Segundo o "Relatório 2010 sobre os Jovens" do Centro Nacional das Famílias Sem-Teto, este flagelo afeta um em cada 45 crianças.

Muitas dessas pessoas vivem em barracas nas florestas, e outras moram nas ruas. A maioria dos moradores que vivem em barracas enfrentam frios abaixo de zero, sem nenhum tipo de aquecimento, energia, banheiros, água e muitos casos comida. De acordo com o relatório, a cada noite mais pessoas procuram essas “cidades barracas” devido à falta de recursos; todos os dias um “acampamento barraca” na cidade de Michigan, recebe 10 telefonemas em média de pessoas, policiais, albergues e até hospitais interessadas em enviarem pessoas para morar no acampamento. E este problema está afetando a todas as camadas das massas trabalhadoras. No ano passado, no Estado de New Jersey, em frente à Ilha de Manhattan, na cidade de Nova Iorque, foi aberta uma clareira num parque para montar um acampamento; quando a polícia chegou, esperando encontrar famílias negras ou latinas, deparou-se com várias famílias brancas que tinham sido despejadas das suas casas pelos bancos imperialistas por falta de pagamento das hipotecas.



O nível de pobreza nos EUA alcança recordes históricos

Dados oficiais revelam que cerca de 47 milhões de norte-americanos vivem abaixo da linha pobreza e que este número só vem crescendo.

Hoje os EUA tem 13 milhões de desempregados, em cifras oficiais, mas o governo faz várias manobras nessa contabilização, não considerando, por exemplo, as pessoas que não procuraram emprego no último mês, aqueles que têm emprego de meio período, emprego sem carteira assinada, jovens que nunca tiveram emprego ou quem desistiu de procura-lo. Se levarmos em consideração essas outras condições, esse número pode facilmente dobrar. 46 milhões de pessoas vivem do vale-refeição do governo nos EUA.

A violência não para de aumentar. Na cidade de Chicago, por exemplo, em 2008, morreram mais pessoas nas ruas que na guerra do Iraque. Até o dia 2 de agosto de 2011, a polícia de Chicago tinha matado mais pessoas que no ano de 2010, e 86% desses mortos eram negros. Segundo relatório da ONU de 2008, a violência policial e, em particular, a discriminação racial e étnica na conduta policial (racial profiling) é “preocupante” e uma das principais violações dos direitos humanos nos EUA. Há 32 vitimas de homicídios por dia por arma de fogo.

A crise social nos EUA tem como causa fundamental o aprofundamento da crise capitalista e a política do governo, dominado pelos especuladores financeiros, de manter as suas taxas de lucros a qualquer custo. Os repasses de recursos desde o colapso de 2008 somam mais de US$ 25 trilhões considerando todos os vários programas legais e ilegais. O nível de endividamento do governo norte-americano, que soma mais de US$ 15 trilhões, e da sociedade como um todo, para sustentar esse punhado de parasitas que domina o mundo, absorve todos os recursos para sustentar o verdadeiro casino em que foi transformado o mundo à custas da gigantesca espoliação dos recursos naturais e humanos.

quarta-feira, 16 de abril de 2014

OTAN e o Nazismo na Ucrânia




Michel Chossudovsky, Diretor do Centre for Research on Globalization em declarações à RIA Novosti:

"Empreiteiros de companhias de segurança privadas podem fazer o que a OTAN não pode abertamente: treinar terroristas que contribuam para desestabilizar a Ucrânia".

"Aquelas organizações (companhias de segurança privadas) farão o que a OTAN não pode fazer abertamente: Podem treinar pessoas para serem terroristas", disse Chossudovsky, acrescentando que na Síria empreiteiros privados estavam a treinar a al-Qaeda.

"Estamos a falar acerca da continuação da política de intervenção militar dos EUA na Ucrânia e na etapa preparatória para um massacre no Sudeste da Ucrânia", Igor Korotchenko, editor-chefe da revista mensal russa Defesa Nacional, acrescentando que a instalação de mercenários da companhia privada Greystone Ltd. pode ser financiada por oligarcas ucranianos e organizada em coordenação com o Departamento de Estado dos EUA.

Chossudovsky considerou à RIA Novosti que mercenários são normalmente contratados por governos, mas há numerosas opções para que eles operem de modo encoberto e não se identifiquem.

"Empreiteiros privados podiam ser contratados pela OTAN, ou pelo governo ucraniano ou por um intermediário. Qualquer um pode contratar a Greystone, eles operam de modo encoberto, eles não se identificam e ganham dinheiro", afirmou Chossudovsky.

A tropa fandanga dos golpistas de Kiev -

 "Considerando que os serviços de segurança da Ucrânia mostram sua óbvia incompetência, mercenários estrangeiros podem suprimir os protestos na parte Sudeste do país", disse Korotchenko.

Chossudovsky considera expectável que a Greystone também recrute ucranianos para a operação e recordou que a companhia contrata pessoas de diferentes nacionalidades, as quais são treinadas por pessoal militar profissional.

"No interior da Guarda Nacional Ucraniana há conselheiros militares ocidentais, eles têm pessoal militar sénior. Supõe-se que treinem serviços de proteção, mas de facto treinam terroristas", disse Chossudovsky.

"A OTAN e os EUA não irão reconhecer a presença destas forças especiais. O que está a acontecer é um influxo de forças especial na Ucrânia as quais estão ali tendo em vista sustentar o atual governo, mas elas também contribuem para um processo de desestabilização", afirmou Chossudovsky enfatizando que mercenários infiltrar-se-iam nos movimentos de base para desencadear a violência por toda a Ucrânia.

O perito canadiano também afirmou que conselheiros da OTAN já estão presentes na Ucrânia e que foram trazidos pelas autoridades de Kiev.



"Temos informações de que havia mercenários no Leste da Ucrânia no princípio de Março. Alguns destes mercenários possivelmente podiam terem sido utilizados para as operações refinadas com franco-atiradores (snipers) que caracterizam o Euro Maidan", disse Chossudovsky, acrescentando que operações semelhantes já foram vistas em outros países.

A Greystone Ltd. é uma companhia privada registada no Barbados que "fornece os profissionais qualificadas e os serviços de administração de programas necessários para enviar helicópteros, segurança protetora e soluções de treino".

A empresa era uma subsidiária do fornecedor de serviços de segurança privada Blackwter e agora opera como uma entidade separada, mas tem ligações com ela.

O ministro russo dos Estrangeiros expressou anteriormente preocupações sobre a acumulação de forças ucranianas na parte Sudeste do país que envolve cerca de 150 mercenários americanos da companhia privada Greystone Ltd., vestidos com o uniforme da unidade de polícia especial ucraniana Sokol. Moscovo classificou este movimento como uma violação da legislação da Ucrânia.