Um produto ideológico faz parte de uma realidade (natural ou social ) como todo o corpo físico, instrumento de produção ou produto de consumo; mas, ao contrário destes, ele também reflete e retrata uma realidade, que lhe é exterior. Tudo o que é ideológico possui um significado e remete a algo situado fora de si mesmo. Em outros termos, tudo o que é ideológico é um signo. Sem signos não existe ideologia
(Mikhail Bakhtin, Marxismo e Filosofia de Linguagem)
Alguns comentários sobre o meio e a mensagem na internet.

domingo, 9 de fevereiro de 2014

O ÓPIO como Política de Estado no Ocidente - Tio Sam quer a Ásia Tomando nos Canos


Os EUA e o ópio do Afganistão

30/01/2014 - Sobre as drogas dos “Pacificadores”

- Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu para a Redecastorphoto




Militar dos EUA-OTAN patrulha uma plantação de papoula (ópio) no Afeganistão


Pelo 3º ano consecutivo, o Afeganistão ocupado pela OTAN cultivou número recorde de papoulas do tipo que produz ópio.

Segundo relatório do Gabinete da ONU para Drogas e Crimes [orig. United Nations Office on Drugs and Crime (UNODC)], em 2013 as culturas de papoula de ópio no Afeganistão ocuparam a maior superfície de terra, ultrapassando todos os registros anteriores.

Apesar das condições climatológicas desfavoráveis, sobretudo em áreas no oeste e no sul do país, as plantações para produção de ópio ocupavam um total de mais de 209 mil hectares, 36% a mais que no ano anterior.

Taxa de crescimento das plantações de papoula-ópio:

Tabela 1. Em duas décadas, segundo o relatório.



Tabela 2. Comparação (em %), de 2012 e 2013.



Oficialmente, o cultivo da papoula-ópio – principal componente para a produção de heroína – é proibido por lei no Afeganistão, embora o número de províncias nas quais a planta está sendo cultivada não pare de crescer.

A produção de ópio alcançou a marca de 5.500 toneladas, mostrando crescimento de 49% em comparação com 2012.
A propaganda ocidental culpa os Talibã pela produção de ópio, ou representantes do regime, que estariam imersos no tráfico de drogas. Mas essas alegações não se confirmam, se se observa o que está realmente acontecendo.

O comando da OTAN diz que os Talibã

"(...) opunham-se inicialmente às drogas, mas agora ou cultivam eles próprios, ou criam “impostos” sobre as colheitas das fazendas produtoras."


Mas os comandantes dos Talibã têm repetido, com insistência, que os mujahideen afegãos estão em luta de jihad contra as forças de ocupação; e que o Islã proíbe estritamente tanto o consumo de álcool quanto de drogas.

E deve-se dizer que, sim, os islamistas fanáticos seguem essa regra ao pé da letra.

Quanto aos fantoches do ocidente, como Hamid Karzai [foto] e os que o cercam, aí, sim, há provas mais do que suficientes de envolvimento deles na produção e no comércio de drogas.


Em outubro de 2013, eclodiu um escândalo em Kabul quando, durante inspeções no Afeganistão, descobriu-se que 65 altos funcionários da inteligência afegã eram dependentes de heroína.

Alguns anos antes, se soubera que a CIA financiava Ahmed Wali Karzai, irmão mais moço do presidente Hamid Karzai [foto acima], o qual era conhecido, já há mais de oito anos, como um dos principais traficantes de ópio na região.


Nikolai  Malishevski
Pesquisadores norte-americanos insistem que o tráfico de ópio nos EUA está sendo controlado por redes e cartéis que foram descobertos durante o caso “Irã-Contras” e que não suspenderam suas atividades desde os anos 1980s:

"O pilar do regime de Karzai é o apoio que recebe do tráfico de drogas, e, para nós, esse pilar é intocável.

Os EUA converteu o Afeganistão no maior fornecedor mundial de heroína.

E isso aconteceu sob o comando da CIA – observam aqueles pesquisadores."



Segundo informação recolhida de vários jornais de grande circulação (The Daily Mail, The New York Times, Pakistan Dail etc.), os principais fornecedores de heroína para o mercado global seriam:

- Izzatullah Wasifi, governador da província Farah; presidente da Administração Geral Afegã Independente contra a Corrupção, cujas atribuições incluem o combate ao cultivo de papoulas e à produção de ópio, e amigo de infância de Hamid Karzai; e que foi preso por autoridades dos EUA, em julho de 1987, por tráfico de heroína de alto grau (!);

- Jamil Karzai, presidente do Partido Nacional da Juventude Solidária do Afeganistão [orig. National Youth Solidarity Party of Afghanistan], membro do Conselho Nacional Afegão de Segurança e sobrinho de Hamid Karzai, que manteria relações de negócios com Haji Mohammad Osman, proprietário de um laboratório de produção de drogas no distrito de Achin, na província de Nangarhar (na pequena região do Damgal);

- Abdul Qayum Karzai, membro da Câmara Baixa da Assembléia Nacional Afegã, ex-empregado da Unocal, empresa norte-americana, e irmão de Hamid Karzai, e que seria o grande barão da droga em Kandahar;

- Shah Wali Karzai, irmão de Hamid Karzai, proprietários de campos de plantação de papoulas nas províncias de Kandahar, Nangarhar, Urozgan, Zabul, Paktia, Paktika e Helmand; e dúzias de autoridades do Executivo e do Judiciário afegãos, além de funcionários do Ministério de Relações Interiores do Afeganistão.



Família Karzai em foto sem data

Em pé: Shah Wali Karzai, Ahmed Wali Karzai, Hamid Karzai, atual presidente, e Abdul Wali Karzai. Sentados: Abdul Ahmad Karzai, Qayum Karzai; Abdul Ahad Karzai, o patriarca, e Mahmoud Karzai.
Se se acredita na imprensa-empresa ocidental, os responsáveis pelos crimes de produção e tráfico são fantoches do ocidente, como a família Karzai [foto acima] e seu círculo, aos quais a mesma imprensa-empresa ocidental culpa pelo rápido crescimento do número de dependentes de heroína em todo o mundo.

Áreas de cultivo de papoula (ópio/heroína) no Afeganistão em 2012

Mas a verdade é que só 20% das papoulas-ópio são cultivadas nos distritos do norte e do centro do Afeganistão, que são as regiões controladas pelo governo Karzai.
Todo o resto da produção desse veneno tão lucrativo vem das províncias do sul, da fronteira com o Paquistão – áreas controladas pelas forças da OTAN.

O principal centro de produção de drogas é a província de Helmand, que está sob comando de forças do exército britânico.


[foto: Karzai e Obama].
Em vez de ajudar os agricultores afegãos mudar seus cultivos para produtos alternativos, os “pacificadores” limitam-se exclusivamente a discutir por que a produção só aumenta; e, segundo provas recolhidas de fontes locais e internacionais, os “pacificadores” também participam ativamente do “negócio” 


Militares da OTAN e plantadores de papoula (ópio) no Afeganistão

Alguns analistas estão atribuindo essa “participação” ao fato de que os EUA tentam por todos os meios evitar um conflito potencial contra os barões da droga, cujo apoio político é importante para a existência do governo Karzai.

Mas o que se vê, de fato, é que os EUA estão ignorando deliberadamente o elo que há entre o tráfico de drogas, a crescente instabilidade no Afeganistão e o crescimento de atividade terrorista na região.

Dito de forma simples: se os EUA estão garantindo aos barões da droga toda a liberdade de que precisam para manter o “negócio” (em troca de apoio político ao governo de Karzai), os EUA estão, de fato, trabalhando contra os próprios objetivos pelos quais invadiram o Afeganistão: garantir paz e segurança ao país.



Especialistas ocidentais como Thomas Ruttig [foto], co-diretor do centro de pesquisa independente Afghanistan Analysts Network, observa que:

"(...) com a próxima retirada das forças da OTAN do Afeganistão, diminuiu muito a pressão, pelas autoridades, contra os plantadores de papoula-ópio.

O relatório divulgado pela ONU diz, dentre outras coisas, que em 2013 as autoridades destruíram 24% de pés de papoula-ópio a menos, que antes."

Resultado: o Afeganistão está-se afirmando, consistentemente, como o maior fabricante de ópio do mundo, produzindo mais de 90% de tudo que o mundo produziu em 2013.

Há três anos, os mesmos analistas da ONU observaram que as papoulas estavam sendo cultivadas em apenas 14, das 34 regiões do país; no início de 2014, esse número já subiu para 20.

Enormes plantações reapareceram em províncias do norte do Afeganistão, como Balkh e Faryab, nas quais a papoula-ópio havia sido declarada erradicada.

Essas províncias afegãs são vizinhas de dois países da Commonwealth of Independent States (CIS, organização que reúne 11 repúblicas ex-soviéticas, inclusive a Rússia) – o Uzbequistão e o Turcomenistão.

Simultaneamente, se observa que está em andamento um processo para militarizar os grupos internacionais de drogas concentrados na região.


Viktor Ivanov [foto], chefe do Serviço Federal de Controle das Drogas da Federação Russa [orig. Federal Drug Control Service of the Russian Federation (FSKN)], diz:

"Já se vê que estão surgindo grupos armados que, vários deles, são ramificações dos cartéis de drogas no norte do Afeganistão. Esses grupos têm suas próprias unidades de combate (...)

No Afeganistão, já está em andamento a rápida militarização de grupos ligados ao tráfico. De modo geral, são bem armados.

Têm armas leves, armamento portátil, granadas e lança-granadas, e usam regularmente essas armas. O orçamento de grupos ligados aos tráfico como esses é de cerca de 18 bilhões de dólares norte-americanos.

É dinheiro que obtêm da produção da droga, e motivo pelo qual esses grupos converteram-se em fator importante em tudo que tenha a ver com a situação política, econômica e criminal dentro dos estados da Ásia Central."

Já há muitos anos, os EUA vêm usando o tráfico de drogas para manter sua Guerra Fria contra os estados pós-soviéticos, porque consideram que a droga seria elemento eficiente para minar o potencial humano dos exércitos adversários naquelas áreas.

Às vésperas de se retirarem do Afeganistão, as forças de ocupação da OTAN tratam de reforçar a produção de papoulas-ópio, por todos os meios possíveis.



Assim, contam com empurrar o conflito para confrontos cada vez mais violentos, usando grupos armados das máfias da droga, que se concentram ao longo da fronteira sul da ex-URSS.


Por isso, lá circulam hoje tantas armas e tantos grupos armados mantidos pelo tráfico, mas que se ocultam por trás de “bandeiras” islamistas e de slogans “jihadistas”.

FUKUSHIMA - A Yakuza no Poder




DOMINGO, 9 DE FEVEREIRO DE 2014




Salvador López Arnal

Tradução: Renzo Bassanetti

Os cidadãos/ãs e coletivos de boa vontade e limpos de coração, ainda partidários da indústria nuclear e da energia atômica, não por pueril cientificismo, tecnofilia desinformada ou por interesses ocultos, mas sim por crença (inadequada) de que não há outra solução, por pensar que é a única fonte de energia viável a curto e médio prazo, e que a questão dos resíduos radioativos poderá ser solucionada em breve, e que a segurança do atômico ganhará e está ganhando muitos rounds depois dos últimos desastres, deveriam prestar atençao numa face pouco comentada que rodeia um de nossos maiores desastres industriais. É a seguinte:

Estando próximos a se completarem três anos da hecatombe nuclear mais importante da história da humanidade, novas arestas (anti-operárias, desumanas, selvagens, criminais, ímpias, mafiosas,...) de uma tragédia incomensurável vão saindo à luz. Situo-me no recente artigo de David Jimenez e Makiko Segawa [1], e lembro o quadro da situação: a corporação TEPCO e o governo japonês estão conduzindo a maior operação de limpeza radioativa jamais empreendida na história da Humanidade, realizando tarefas nunca efetuadas até o momento. Tentam descontaminar uma área equivalente à duas vezes a superfície da cidade de Madri. "Parques, fachadas, moradias, plantas, veículos abandonados e cada centímetro de terra estão sendo desinfetados com o objetivo de tornar habitáveis as cidades das quais foram evacuadas cerca de 150 mil pessoas". Por sua vez, centenas de trabalhadores continuam lutando para deter as fugas radioativas da central, que não deixou de verter água radioativa no Pacífico. Fukushima deixou de ocupar manchetes, mas continua descontrolada.

Sem renda e dormindo na rua, Tsuyoshi Kaneko, 55 anos, um trabalhador desempregado e empobrecido, recebeu em 2012 a primeira oferta de trabalho em muito tempo: 80 euros diários por uma vaga na limpeza na zona altamente radioativa da Zona de Exclusão Nuclear. Começou a trabalhar, sem máscara nem traje de proteção, "nos labores de descontaminação da hoje deserta cidade de Narra". Tempos depois foi destinado a um posto de controle encarregado de medir os níveis de radiatividade dos veículos que entram e saem da central atômica acidentada (recorde-se o caso de Shizuya Nishiyama, um indigente de 57 anos. Depois de uma longa vida trabalhando como peão de obra, as empresas construtoras deixaram de contratá-lo. Viajou de Hokkaido com a esperança de ser contratado nos trabalhos de reconstrução. Depois de um breve contrato temporário, voltou a ficar nas ruas e terminou dormindo entre pedaços de papelão na estação de Sendai. Mais tarde, passou de recrutado a recrutador, utilizando seus contatos entre os vagabundos da estação para captar mão de obra. Enviou alguns de seus amigos para trabalhos que poderiam ser perigosos. "Levam parte do seu salário, e a situação ali é difícil", mas acrescenta: "é melhor ser um trabalhador nuclear do que dormir rua em pleno inverno e sem comida"[2].

E, com Kaneko aconteceu o que tinha que acontecer, a crônica de um desastre anunciado: começou a ficar com a visão turva, e a perdê-la. Já não pode trabalhar e foi despejado. "Os médicos não encontram a causa de meus problemas, mas eu sei que é a radioatividade". Ele não é o único que teve problemas de saúde. "Muitos de nós que estávamos lá padecem das consequências", assegura Kaneko.

Aqueles "heróis", aqueles voluntários de Fukushima que receberam o Prêmio Príncipe de Astúrias de la Concordia por seu "valoroso e exemplar comportamento" já foram substituídos: o capitalismo nipônico entrou no comando e usou seu exército industrial de reserva: ele os substituiu por "mendigos, desempregados sem recursos, aposentados em dificuldades, pessoas endividadas ou jovens sem formação". Esses últimos trabalham em algumas ocasiões pelo equivalente a 5 euros a hora (menos que o salário mínimo da Prefeitura de Fukuhima). Pelos demais, aquela voluntariedade em sua face menos heróica. O Prêmio Príncipe de Asturias de la Concordia de 2011 foi um dos mais anônimos. Embora o Japão tenha mandado uma representação para recebê-lo, a maioria dos trabalhadores que salvaram Fukushima de um desatre maior não viajou à Espanha, não queriam revelar seus nomes. O juri do Prêmio os descreveu como representantes "dos valores mais elevados da condição humana, ao tratar de evitar, com seu sacrifício, que o desatre nuclar provocado pelo tsunami multiplicasse seus efeitos devastadores, esquecendo as graves consequências que essa decisão teria sobre suas vidas". Retórica perigosa e ocultista. Alguns deles chegariam a se declararem "pilotos kamikazes", dispostos a morrer para salvar a pátria do perigo. Um momento crítico da situação: quando Yoshida, o diretor da central nuclear, já falecido, rompeu a cultura corporativa de obedecer e calar e desobedecu seus superiores, que de Tóquio lhe pediram que deixasse de esfriar os reatores com água do mar, por que temiam que isso produzisse mais perdas econômicas. Mais perdas nesses momentos! Sua decisão de ignorá-los foi crucial para evitar uma fuga radioativa que teria colocado em risco centenas de cidades, de Fukushima até a Capital.



Há mais aspectos, todos horríveis, certamente: a obrigação de se desfazer de quem já recebeu o limite permitido de radioativada obriga a renovar a equipes. Constantemente e sem fim. As empresas de recrutamento contratadas pela corporação, por sua vez subcontratam, e "delegaram a captação de mão de obra barata"; negócio sempre é negócio, e dizem que a única corporação japonesa capaz de facilitar isso são os yakuza. A máfia, dizem, "mais endinheirada e secreta do mundo, passou a controlar o fornecimento de trabalhadores, beneficiando-se de parte dos 75 bilhões de euros que serão investidos na recuperação da área nos próximos anos". A TEPCO e o governo japonês ignoram a situação? Não sabem de nada? A vida de um trabalhador indigente vale a mesma coisa que a de um cidadão qualquer?

Não é um caso único na história recente japonesa. "O hampa controla há décadas o mercado de trabalho clandestino no Japão". As famílias yakuza tem a capacidade de mobilizar muitos trabalhadores em pouco tempo, e frequentemente se transformam na solução para empresas que empreendem grandes projetos. As redes criminais se encarregam de cobrar os salários e dão uma pequena parte para os trabalhadores". No caso de Fukushima, estes perdem até 80% do extra de periculosidade que lhes corresponde.

Os trabalhadores sem-teto somente recebem pelos dias que trabalham. Não tem seguro médico. São obrigados a pagar a sua própria comida. Não recebem treinamento. Uma vez que adoeçanm, como Kaneko, são descartados sem nenhuma compensação. O soldo de Takashi caiu pela metade depois que seus "amos mafiosos" decidiram cobrar-lhe até sua máscara de proteção. Liberdade da cidadania trabalhadora nipônica? Que liberdade?

Os indigentes são conduzidos aos reatores e a outras áreas sensíveis da usina sendo enganados. Recebiam doses de radiação superiores às permitidas, sem sequer saber que estavam em uma central nuclear. Vários deles já morreram ou adoeceram de câncer. As famílias continuam esperando uma compensação. Não será fácil consegui-la: enfrentam algumas das corporações mais influentes do Japão e do mundo. A exploração dos escravos nucleares se agravou. Obsolescência de seres humanos trabalhadores. Conforme cresciam as necessidades de Fukushima, a exploração foi aumentando. Mais de 50 mil trabalhadores já passaram pela Zona de Exclusão Nuclear. As previsões apontam para outros 11 mil anuais. Muitos trabalhadores japoneses estão desesperados. "Cartazes nas cidades próximas solicitam empregados, oferecendo "rendas adicionais" em comunidades onde, desde o tsunami, viram como o desemprego disparou". A TEPCO, apesar da situação, somente consegue cobrir dois terços de suas necessidades. Anunciou que dobrará os salários, até 140 euros por jornada, a lei da oferta e da procura, que construirá um complexo para melhorar a vida dos trabalhadores. Só rindo, trágicamente. Em todo o caso, a empresa admite que o dinheiro extra continurá indo para as empresas de subcontratação e, indiretamente, para as redes criminosas que as controlam [3]. Ordem é ordem!

As dificuldades para encontrar pessoal em um país com uma taxa de desemprego de 4% são boas notícias para os yakuza. À capacidade de recrutar milhares de trabalhadores, acrescentam o que é sabido: a intimidação criminal para evitar que abandonem seus postos. Nem sequer as doenças servem de desculpa.



Fonte: http://gilsonsampaio.blogspot.com.br/2014/02/exploracao-selvagem-desumana-e.html

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

O Rolezinho da Ditadura Global





Escrevendo para o Conselho do Atlântico, um insider de destaque sediado em Washington DC, Harlan K. Ullman, adverte que uma “crise extraordinária” é necessária para preservar a “Nova Ordem Mundial”, que está sob ameaça de ser descarrilado por atores não-estatais, como Edward Snowden.


O Conselho do Atlântico é considerado uma organização altamente influente com laços estreitos com os principais decisores políticos em todo o mundo. É liderado pelo general Brent Scowcroft, ex-Conselheiro de Segurança Nacional sob Presidentes dos EUA, Gerald Ford e George HW Bush. Snowcroft também aconselha o presidente Barack Obama.



Harlan K. Ullman

Harlan K. Ullman foi o principal autor da doutrina “choque e pavor” e é agora presidente do Grupo Killowen que assessora os líderes do governo.

Em um artigo intitulado “Guerra ao Terror não é a Única Ameaça” (orig. War on Terror Is not the Only Threat), Ullman afirma que, “mudanças tectônicas estão reformulando o sistema de geo-estratégica internacional”, argumentando que não são as superpotências militares, como a China, mas "atores não estatais", como Edward Snowden, Bradley Manning e hackers anônimos que representam a maior ameaça para os “365 anos de idade do sistema de Westfália”, porque eles estão incentivando as pessoas a se tornarem auto-capacitadas e com desejo de eviscerar o controle do Estado.

“Muito poucos tomaram nota e menos ainda tem sido feito sobre essa realização”, diz Ullman, lamentando que “revolução da informação e comunicações globais instantâneas” estão frustrando a “nova ordem mundial" anunciada pelo presidente dos EUA, George HW Bush mais de duas décadas atrás.



Brent Scowcroft

“Sem uma crise extraordinária, é pouco provável que seja feito algo para reverter ou limitar, os danos impostos pelo questionamento sobre se governo falhou ou não, escreve Ullman, o que implica que apenas um outro cataclismo como 9/11 permitirá ao estado, re-afirmar o seu domínio enquanto “contém, reduz e elimina os perigos representados por atores não-estatais recém-capacitados”.

Ullman conclui que a eliminação de agentes não estatais e indivíduos capacitados “deve ser feito”, a fim de preservar a nova ordem mundial. Um resumo de seu material sugere que a definição do Conselho do Atlântico de uma “nova ordem mundial” é uma tecnocracia mundial gerida por uma fusão de grande governo e um grande negócio em que a individualidade é substituída por uma singularidade trans-humanista.

A retórica de Ullman soa um tanto semelhante ao defendido pelo participante da Comissão Trilateral e co-fundador e participante regular do grupo Bilderberg, Zbigniew Brzezinski, que em 2010 disse em uma reunião do Conselho de Relações Exteriores que um “despertar político global”, em combinação com a luta interna entre a elite, estava ameaçando descarrilar a transição para um governo mundial.
A chamada implícita de Ullman para uma “Crise Extraordinária” necessária em revigorar o suporte para o poder do Estado grande de governo, tem tons misteriosos do Projeto para um novo século americano de 1997 (orig. Project For a New American Century’s), onde lamentam que “na ausência de algum evento catastrófico catalisador - como um novo Pearl Harbor”, uma expansão do militarismo dos EUA teria sido impossível.



Patrick Clawson

Em 2012, Patrick Clawson, membro da influente insider do pró-Israel Institute for Near East Policy (WINEP),também sugeriu que os Estados Unidos devem lançar uma provocação encenada para começar uma guerra com o Irã.

A preocupação de Ullman sobre as instituições do Estado de que tenham falhado e vêem a sua influência erodida por pessoas capacitadas, principalmente através da Internet, é mais um sinal de que a elite está em pânico sobre o “despertar político global” que expressou-se, mais recentemente, através das ações de pessoas como Edward Snowden, Julian Assange e Bradley Manning além de sua crescente legião de apoiadores.


[*] Paul Joseph Watson é o editor e articulista de Infowars.com e Prison Planet.com. É autor de Order Out Of Chãos e também é host de Infowars Nightly News.
Siga Paul Joseph Watson: https://twitter.com/PrisonPlanet


sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Heloisa Villela: “Lobista americano morreu”




Eufemismo até no lobby

por Heloísa Villela, no Brasil Econômico, no Informe New York, sugerido por Franco Atirador

O título do e-mail me deixou os olhos arregalados.

O remetente era uma organização respeitada, que produz informações confiáveis.

Mas as palavras estavam lá, taxativas: “o lobista morreu”.

Não um lobista em particular. Mas a “profissão” em si.

Portanto, TODOS os lobistas.

Era uma notícia bombástica demais para ser verdadeira.

Afinal, são eles, os lobistas e o dinheiro que investem, em nome de seus clientes, nas campanhas eleitorais americanas que dominam a política do país. Abri o e-mail imediatamente.

Um texto inteligente e bem-humorado recordou um pouco da longa vida do “lobista” morto. Ele tinha já seus 150 anos e, coitado, sempre foi vítima de piadinhas, acusações e abusos verbais.

Mas entrou no século XXI com tudo! O governo passou por uma bela expansão e, com o país metido em duas guerras, não faltava trabalho. Em 2010, os lobistas faturaram, apenas em Washington, US$ 3,55 bilhões. Porém, essa fama de distorcer o sistema político, influenciar as decisões em Washington, trabalhar com dinheiro, por dinheiro e somente pelo dinheiro estava pesando. Foi então que surgiu a solução. Neste ano, os profissionais do ramo não se reuniram, como costumam fazer em todo fim de ano, em uma convenção nacional de lobistas. Eles participaram do encontro anual da “Associação de Profissionais de Relações com Governos”.

Piadinha boa do e-mail.

Me fez pensar nos eufemismos que deslizam do discurso do governo com a intenção de deitar raízes no vocabulário popular e assim produzir aceitação de práticas deploráveis, despertar simpatia por causas injustas e outras gracinhas.

As palavras têm o poder de atiçar imagens na mente de quem as ouve ou as pronuncia.

Cuidar minuciosamente do discurso, como faz a Casa Branca, tem justamente esta intenção: produzir a imagem desejada na mente da população.

Daí o “dano colateral” (collateral damage) no lugar de “civis mortos” ou “morte de inocentes”, que remete imediatamente a crianças dilaceradas, baleadas ou atingidas por bombas e mísseis.

Em uma prova de desfaçatez incalculável, o governo americano também adotou a expressão “técnica de interrogatório acentuada” ao se referir de forma genérica à tortura.

A “Guerra contra o Terror” de George W. Bush deu lugar às “Operações de Contingência no Exterior” de Barack Obama.

Não existe guerra. Ao menos para os americanos já que mais e mais são aviões controlados por controle remoto, do conforto das instalações americanas na Virgínia ou em outros estados, que lançam mísseis e eliminam terroristas, com ou sem a produção de “danos colaterais”.

Obama, ao contrário de Bush, preferiu matar os suspeitos do que prendê-los.

Guantânamo se tornou uma vergonha e um abacaxi.

Os presos que mofam lá há mais de uma década, para Obama, estão em uma situação de “detenção prolongada”, não mais presos por tempo indeterminado, sem direito a julgamento.

Em um ensaio publicado em 1946, o escritor e jornalista britânico George Orwell explicou com clareza do que se trata toda essa neblina verbal.

Ele disse que o objetivo dessa linguagem política obscura é “fazer com que mentiras soem verdadeiras e o assassinato respeitável”.

Ou, como disse o também britânico Quentim Crip, todo eufemismo “é uma verdade desagradável com perfume diplomático”.

Os Estados Unidos não inventaram essa brincadeira.

A Alemanha nazista foi mestra no uso dos eufemismos.

Basta lembrar do primeiro grande ataque aos judeus na Áustria e na Alemanha, em novembro de 1938, que resultou na morte de 96 judeus e no envio de outros 30 mil para os campos de concentração.

Ainda hoje, a data, considerada o início do Holocausto, mantém o nome que ganhou na época:

“A Noite de Cristal”, como se apenas alguns vidros tivessem sido quebrados.

Reinhard Neydrich, cabeça do escritório de segurança do Reich, se preocupou especificamente com o problema da disseminação de informações durante o nazismo.

Não queria que soldados e oficiais que voltavam do Leste falassem das atrocidades testemunhadas por lá.

Vários eufemismos foram adotados para substituir a realidade nua e crua dos campos de concentração.

As câmaras de gás se chamavam “casas de banho”.

“Reassentamento” nada mais era do que o assassinato de judeus.

“Liberar uma área”, torná-la livre de judeus, significava matar todos os judeus daquela região.



A lista é longa…

Mas os Estados Unidos entenderam rapidamente a importância de tomar as rédeas do vocabulário como forma de mobilizar a população ou tornar a realidade mais palatável.

Já no fim da Segunda Guerra Mundial, Tio Sam fez um ajuste importante. Transformou o Departamento da Guerra em Departamento de Defesa.

A nascente superpotência não agride.

Somente se defende e abraça a causa dos direitos humanos pelo mundo afora.

Daí, no afã de proteger mais alguns milhares, os Estados Unidos, com o apoio da ONU, bombardearam a Iugoslávia em 1999.

Como disse o professor de história da Universidade da Califórnia Perry Anderson, em “American Foreign Policy and Its Thinkers” (Política Externa Americana e seus Pensadores), “foi a primeira vez que um bombardeio aéreo foi declarado uma intervenção humanitária”.

Belgrado ainda tem prédios destruídos pela agressão.

Eles foram intencionalmente preservados, aos pedaços, como lembrança.

Mais recentemente, foi a vez da Líbia de Muammar Kadaffi.

Em 2011, o “esforço humanitário” americano veio dos céus novamente.

Mas nunca foi tratado, pela Casa Branca, como um bombardeio.

Não houve “hostilidade”, explicou o governo, porque os soldados americanos nem pisaram em solo estrangeiro.

Houve apenas uma “ação militar cinética”.




Como é que é?

Segundo o Dicionário Aurélio, cinético é o que produz movimento. Então está explicado.

Foi bastante “cinética” a participação dos Estados Unidos em toda a América Central e na nossa América do Sul.

Provocou mesmo um bocado de movimento.

E levou tempo… Em alguns casos, mais de 20 anos para reencontrar o rumo que a movimentação toda provocada pelo grande vizinho do Norte provocou nas nossas bandas derrubando governos democráticos e garantindo a permanência de ditaduras ao longo de quase toda a região ao Sul da Flórida.





terça-feira, 17 de dezembro de 2013

4° Reich - O Regime Sionista Canibal




Sei que o título é algo forte, mas como denominar uma sociedade onde 49% dos estudantes judeus do ensino médio afirmam que os árabes não devem ter os mesmos direitos do que eles?

A pesquisa foi encomendada pela Centro Ma’agan Mojot para ser debatido durante um encontro promovido pela Faculdade de Educação da Universidade de Tel Aviv e o centro Para Fortalecimento dos Cidadãos de Israel.

E esse racismo desbragado não cessa aí. Quem quiser maiores detalhes consulte o Jornal Ha’aretz. Um dos organizadores do debate Daniel Bar-Tal lamentou que “a juventude judaica não tenha internalizado os valores democráticos básicos” .






Mais racismo


O Grupo Leheva, integrado por judeus ortodoxos protestou contra o namoro da modelo israelense Bar Refaeli com o ator norte-americano Leonardo Di Caprio.


O Jornal Ha’aretz publicou que a modelo recebeu uma carta do colono Baruch Marcel que, em nome do grupo Leheva, pede que ela não se case com o ator para "não danar as gerações futuras" ao misturar seu sangue com o de um "gentio" (não judeu).


"Você não nasceu judia por acaso", diz Marcel na carta, na qual acrescenta: "Seu avô e sua avó não sonharam que um descendente tiraria futuras gerações da família do povo judeu".


O autor da carta avisa que "a assimilação foi sempre um dos inimigos do povo hebreu" e faz um apelo para que a modelo pense com a razão e "olhe para frente e para trás, e não apenas para o presente".


Segundo o "Ha'aretz", o Lehava é uma organização que se dedica a "oferecer assistência" a mulheres judias que mantêm relações" com "não judeus" para evitar que casamentos sejam consumados, especialmente se aqueles forem árabes.


Pobre holocausto…




domingo, 15 de dezembro de 2013

EUA - Cidadania em Baixa - O Embuste Obama


Maior população prisional do mundo, pobreza infantil acima dos 22%, nenhum subsídio de maternidade, graves carências no acesso à saúde… bem-vindos ao “paraíso americano”


Por Pragmatismo Político





Os EUA costumam se revelar ao mundo como os grandes defensores das liberdades, como a nação com a melhor qualidade de vida do planeta e que nada é melhor do que o “american way of life” (o modo de vida americano). A realidade, no entanto, é outra. Os EUA também têm telhado de vidro como a maioria dos países, a diferença é que as informações são constantemente camufladas. Confira abaixo 10 fatos pouco abordados pela mídia ocidental.

1. Maior população prisional do mundo

Elevando-se desde os anos 80, a surreal taxa de encarceramento dos EUA é um negócio e um instrumento de controle social: à medida que o negócio das prisões privadas alastra-se como uma gangrena, uma nova categoria de milionários consolida seu poder político. Os donos destas carcerárias são também, na prática, donos de escravos, que trabalham nas fábricas do interior das prisões por salários inferiores a 50 cents por hora. Este trabalho escravo é tão competitivo, que muitos municípios hoje sobrevivem financeiramente graças às suas próprias prisões, aprovando simultaneamente leis que vulgarizam sentenças de até 15 anos de prisão por crimes menores como roubar chicletes. O alvo destas leis draconianas são os mais pobres, mas, sobretudo, os negros, que representando apenas 13% da população norte-americana, compõem 40% da população prisional do país.

2. 22% das crianças americanas vive abaixo do limiar da pobreza.

Calcula-se que cerca de 16 milhões de crianças norte-americanas vivam sem “segurança alimentar”, ou seja, em famílias sem capacidade econômica para satisfazer os requisitos nutricionais mínimos de uma dieta saudável. As estatísticas provam que estas crianças têm piores resultados escolares, aceitam piores empregos, não vão à universidade e têm uma maior probabilidade de, quando adultos, serem presos.

3. Entre 1890 e 2012, os EUA invadiram ou bombardearam 149 países.

O número de países nos quais os EUA intervieram militarmente é maior do que aqueles em que ainda não o fizeram. Números conservadores apontam para mais de oito milhões de mortes causadas pelo país só no século XX. Por trás desta lista, escondem-se centenas de outras operações secretas, golpes de Estado e patrocínio de ditadores e grupos terroristas. Segundo Obama, recipiente do Nobel da Paz, os EUA conduzem neste momente mais de 70 operações militares secretas em vários países do mundo.

O mesmo presidente criou o maior orçamento militar norte-americano desde a Segunda Guerra Mundial, superando de longe George W. Bush.

4. Os EUA são o único país da OCDE que não oferece qualquer tipo de subsídio de maternidade.

Embora estes números variem de acordo com o Estado e dependam dos contratos redigidos por cada empresa, é prática corrente que as mulheres norte-americanas não tenham direito a nenhum dia pago antes ou depois de dar à luz. Em muitos casos, não existe sequer a possibilidade de tirar baixa sem vencimento. Quase todos os países do mundo oferecem entre 12 e 50 semanas pagas em licença maternidade. Neste aspecto, os Estados Unidos fazem companhia à Papua Nova Guiné e à Suazilândia.

5. 125 norte-americanos morrem todos os dias por não poderem pagar qualquer tipo de plano de saúde.

Se não tiver seguro de saúde (como 50 milhões de norte-americanos não têm), então há boas razões para temes ainda mais a ambulância e os cuidados de saúde que o governo presta. Viagens de ambulância custam em média o equivalente a 1300 reais e a estadia num hospital público mais de 500 reais por noite. Para a maioria das operações cirúrgicas (que chegam à casa das dezenas de milhar), é bom que possa pagar um seguro de saúde privado. Caso contrário, a América é a terra das oportunidades e, como o nome indica, terá a oportunidade de se endividar e também a oportunidade de ficar em casa, torcendo para não morrer.

6. Os EUA foram fundados sobre o genocídio de 10 milhões de nativos. Só entre 1940 e 1980, 40% de todas as mulheres em reservas índias foram esterilizadas contra sua vontade pelo governo norte-americano.

Esqueçam a história do Dia de Ação de Graças com índios e colonos partilhando placidamente o mesmo peru em torno da mesma mesa. A História dos Estados Unidos começa no programa de erradicação dos índios. Tendo em conta as restrições atuais à imigração ilegal, ninguém diria que os fundadores deste país foram eles mesmos imigrantes ilegais, que vieram sem o consentimento dos que já viviam na América. Durante dois séculos, os índios foram perseguidos e assassinados, despojados de tudo e empurrados para minúsculas reservas de terras inférteis, em lixeiras nucleares e sobre solos contaminados. Em pleno século XX, os EUA iniciaram um plano de esterilização forçada de mulheres índias, pedindo-lhes para colocar uma cruz num formulário escrito em idioma que não compreendiam, ameaçando-as com o corte de subsídios caso não consentissem ou, simplesmente, recusando-lhes acesso a maternidades e hospitais. Mas que ninguém se espante, os EUA foram o primeiro país do mundo oficializar esterilizações forçadas como parte de um programa de eugenia, inicialmente contra pessoas portadoras de deficiência e, mais tarde, contra negros e índios.

7. Todos os imigrantes são obrigados a jurarem não ser comunistas para poder viver nos EUA.

Além de ter que jurar não ser um agente secreto nem um criminoso de guerra nazi, vão lhe perguntar se é, ou alguma vez foi membro do Partido Comunista, se tem simpatias anarquista ou se defende intelectualmente alguma organização considerada terrorista. Se responder que sim a qualquer destas perguntas, será automaticamente negado o direito de viver e trabalhar nos EUA por “prova de fraco carácter moral”.

8. O preço médio de uma licenciatura numa universidade pública é 80 mil dólares.

O ensino superior é uma autêntica mina de ouro para os banqueiros. Virtualmente, todos os estudantes têm dívidas astronômicas, que, acrescidas de juros, levarão, em média, 15 anos para pagar. Durante esse período, os alunos tornam-se servos dos bancos e das suas dívidas, sendo muitas vezes forçados a contrair novos empréstimos para pagar os antigos e assim sobreviver. O sistema de servidão completa-se com a liberdade dos bancos de vender e comprar as dívidas dos alunos a seu bel prazer, sem o consentimento ou sequer o conhecimento do devedor. Num dia, deve-se dinheiro a um banco com uma taxa de juros e, no dia seguinte, pode-se dever dinheiro a um banco diferente com nova e mais elevada taxa de juro. Entre 1999 e 2012, a dívida total dos estudantes norte-americanos cresceu à marca dos 1,5 trilhões de dólares, elevando-se assustadores 500%.

9. Os EUA são o país do mundo com mais armas: para cada dez norte-americanos, há nove armas de fogo.

Não é de se espantar que os EUA levem o primeiro lugar na lista dos países com a maior coleção de armas. O que surpreende é a comparação com outras partes do mundo: no restante do planeta, há uma arma para cada dez pessoas. Nos Estados Unidos, nove para cada dez. Nos EUA podemos encontrar 5% de todas as pessoas do mundo e 30% de todas as armas, algo em torno de 275 milhões. Esta estatística tende a se elevar, já que os norte-americanos compram mais de metade de todas as armas fabricadas no mundo.

10. Há mais norte-americanos que acreditam no Diabo do que os que acreditam em Darwin.

A maioria dos norte-americanos são céticos. Pelo menos no que toca à teoria da evolução, já que apenas 40% dos norte-americanos acreditam nela. Já a existência de Satanás e do inferno soa perfeitamente plausível a mais de 60% dos norte-americanos. Esta radicalidade religiosa explica as “conversas diárias” do ex-presidente Bush com Deus e mesmo os comentários do ex-pré-candidato republicano Rick Santorum, que acusou acadêmicos norte-americanos de serem controlados por Satã.



domingo, 10 de novembro de 2013

O Dólar desce pelo Ralo - O Fim do Império Norte Americano


Escape From The Dollar: An Interview with Paul Craig Roberts

Traduzido por João Aroldo

[*] Paul Craig Roberts acha que o Fed está em uma sinuca de bico. Uma alta nas taxas de juros poderia fortalecer o dólar, dar uma nova vida ao dólar como moeda de reserva internacional e parar o movimento para o ouro, mas uma alta nos juros poderia derrubar os mercados de ações e títulos além de reduzir o valor dos derivativos nos balanços dos bancos. Eu perguntei ao Dr. Roberts se o Fed sacrificaria o dólar para salvar os bancos e que efeito isso teria no poder de Washington em relação ao resto do mundo. Suas respostas a estas três questões sugerem que os dias de hegemonia financeira e liderança mundial de Washington estão contados.




A entrevista:


Mike Whitney: O dólar corre risco de perder sua posição como moeda de reserva? Como esta perda afetaria a liderança dos EUA e outros países?


Paul Craig Roberts: De certa maneira o dólar já perdeu seu status de moeda de reserva, mas este acontecimento ainda não foi oficialmente percebido; tampouco atingiu os mercados cambiais. Considere que os BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) anunciaram sua intenção de abandonar o uso do dólar americano para o acerto de desequilíbrios comerciais entre eles e, em vez disso, acertarem suas contas em suas próprias moedas. (Há agora um website, o BRICSPOST, que informa sobre as relações em desenvolvimento entre os cinco grandes países).


Também há relatos de que Austrália e China e Japão e China vão acertar suas contas comerciais sem recorrer ao dólar.


Explicações diferentes são dadas. Os BRICS dão a entender que eles estão cansados da hegemonia financeira dos EUA e têm preocupações sobre a estabilidade do dólar em vista da excessiva emissão de nova dívida e novo dinheiro para financiá-la.

China, Austrália e Japão citaram a anulação das taxas de transação associadas à conversão de suas moedas, primeiro para o dólar e depois para outras moedas. Eles dizem que é um passo de redução de custos para reduzir os custos de transação. 

Isto pode ser um disfarce diplomático para descartar o dólar.

O shutdown parcial do governo norte-americano de outubro de 2013 e a ameaça (exagerada) de calote da dívida resultaram nos acordos de swap cambiais sem precedentes entre o banco central chinês e o banco central europeu e entre o banco central chinês e o Banco da Inglaterra. A razão dada para estes swaps foi precaução necessária contra perturbações do dólar. Em outras palavras, a instabilidade norte-americana foi vista como uma ameaça ao sistema de pagamento internacional.

O papel de moeda de reserva do dólar não é compatível com a visão de que devem ser tomadas precauções contra o possível colapso ou queda do dólar.

O pedido chinês de um “mundo des-Americanizado” é um sinal claro da crescente impaciência com a irresponsabilidade de Washington.

Resumindo, houve uma mudança de atitude em relação ao dólar e à aceitação da hegemonia financeira norte-americana.

Como a crise do déficit e do teto da dívida de outubro não foi resolvida, simplesmente transferida para janeiro/fevereiro de 2014, uma repetição do impasse de outubro vai corroer ainda mais a confiança no dólar.

Independente disso, muitos países chegaram à conclusão de que não só os EUA abusaram do seu papel de moeda de reserva, mas também de que o poder de Washington impor sua vontade e de agir fora da lei provem de sua hegemonia financeira e de que é mais difícil de resistir a esse poder financeiro do que ao poderio militar de Washington.

Enquanto o mundo, incluindo aliados norte-americanos, deixava claro enfrentando Washington e bloqueando o ataque militar de Washington à Síria, os dias de hegemonia incontestável de Washington acabaram.

Na China, Rússia, Europa e América do Sul estão se erguendo vozes contra a ilegalidade e irresponsabilidade de Washington. Esta mudança de atitude em relação aos EUA vai quebrar o sistema de imperialismo do dólar.

Mike Whitney: Como o afrouxo monetário (orig.: Quantitative Easing) do Federal Reserve está impactando o dólar e os instrumentos financeiros?

Paul Craig Roberts: A política do Federal Reserve de criar grandes quantias de novo dinheiro para ajudar os balanços de bancos grandes demais para falir (orig.: banks too big to fail) e para financiar orçamentos continuamente deficitários é outro fator minando o papel de moeda de reserva do dólar. A liquidez que o Federal Reserve injetou no sistema financeiro criou bolhas enormes nos mercados de títulos e ações. Os preços de títulos do Tesouro Americano estão tão altos que são incompatíveis com o balanço do Federal Reserve e a criação em massa de novos dólares.

Além disso, os bancos centrais e alguns investidores perceberam que o Federal Reserve está preso na política de apoio aos preços dos títulos.

Se o Federal Reserve parar apoiar os preços dos títulos, as taxas de juros vão subir, os preços de derivativos ligados a dívidas nos balanços dos bancos vão cair e os mercados de ações e de títulos entrariam em colapso. Portanto, uma redução gradual (orig.: tapering off) do afrouxo quantitativo (QE) arrisca um pânico financeiro.

Por outro lado, continuar a política de apoiar os preços de títulos corrói ainda mais a confiança no dólar.

Grandes quantias de dólares e instrumentos financeiros denominados em dólares são mantidos por todo o mundo. Os detentores de dólares estão vendo o Federal Reserve diluir seus haveres ao criar um trilhão de dólares novos por ano. O resultado natural dessa experiência é aliviar as reservas em dólar e procurar outras maneiras de manter reservas.

O Federal Reserve pode imprimir dinheiro para comprar os títulos, mas não pode imprimir moedas estrangeiras para comprar dólares. Como as preocupações quanto ao dólar aumentam, o valor cambial do dólar cai, já que mais dólares são vendidos nos mercados de câmbio. Como os EUA são dependentes de importações, isso se traduz em preços internos mais altos. A inflação em alta vai assustar mais ainda os detentores de dólares.

De acordo com relatos recentes, a China e o Japão reduziram suas reservas de Títulos do Tesouro Americano em 40 bilhões de dólares. Isto não é uma grande quantia comparada ao tamanho do mercado, mas é uma mudança do acúmulo constante.

No passado, Washington foi capaz de contar com a China e o Japão reciclando seus superávits comerciais com os EUA em títulos do Tesouro Americano. Se a disposição estrangeira para adquirir a dívida do Tesouro diminuir, mas o déficit do orçamento federal não, o Federal Reserve vai ter que aumentar o afrouxo monetário (QE), colocando, assim, mais pressão sobre o dólar.

Em outras palavras, para evitar uma crise imediata, o Federal Reserve tem que continuar com uma política que vai produzir uma crise em algum momento. Ou uma crise financeira agora ou uma crise do dólar mais tarde.

Eventualmente, o Federal Reserve vai forçar a mão. Como o valor cambial está caindo, também vai cair o valor de instrumentos financeiros denominados em dólar, independentemente de quantos títulos o Federal Reserve compre.

Mike Whitney: Como a China vai responder à mudança da posição econômica Americana?

Paul Craig Roberts: Quando me encontrei com legisladores chineses em 2006, eu os aconselhei de que havia um limite de tempo em que eles poderiam contar com o mercado consumidor dos EUA, já que o offshoring de empregos o estava destruindo. 

Eu apontei que a grande população da China proporcionava potencial para uma enorme economia aos legisladores. Eles responderam que a política de um filho, que foi necessária há alguns anos para evitar que a população ultrapassasse a infraestrutura social, estava impedindo o desenvolvimento de uma economia de consumo interna.

Como os camponeses não podiam mais contar com vários filhos para garantir o sustento na velhice, eles economizaram seus ganhos. Os legisladores chineses disseram que eles queriam desenvolver um sistema de previdência social que daria confiança à população para gastar mais seu rendimento. Eu não sei até onde a China foi nessa direção.

Desde 2006 o governo chinês deixou o Yuan se valorizar em 25% ou 33%, dependendo da escolha de base. O aumento no valor cambial da moeda não prejudicou as exportações ou a economia. 

Além disso, os EUA não produziram mais muitos dos itens dos quais depende da China; e outros países em desenvolvimento não têm a combinação de tecnologia que as empresas americanas têm para darem à China e seu grande excesso de mão de obra. Então, é improvável que a China enfrente qualquer ameaça a seu desenvolvimento, exceto por políticas norte-americanas com o intuito de impedir o acesso da China a recursos, como o novo foco das forças militares dos EUA no Pacífico anunciada pelo regime Obama.

As grandes reservas de dólares da China são consequência da proeza tecnológica que a China adquiriu do offshoring de empregos das corporações ocidentais. O que é importante para a China é a tecnologia e o know-how comercial, que eles adquiriram agora.

A riqueza de papel representada pelas reservas em dólar não é o fator importante.

A China poderia desestabilizar o dólar Americano convertendo suas reservas em dólar e despejando o dólar nos mercados de câmbio. O Federal Reserve não seria capaz de manter swaps cambiais com países grandes o suficiente para comprar os dólares despejados e o valor cambial do dólar cairia. Tal ação poderia ser uma resposta chinesa a um cerco militar de Washington.

Na falta de um confronto, o governo chinês deve provavelmente converter seus dólares em ouro, em outras moedas e ativos reais, como petróleo, minérios e alimento.

O afrouxo monetário está rapidamente aumentando o fornecimento de dólares, mas como outros países mudam para outros arranjos para acertar seus desequilíbrios comerciais, a demanda por dólares não está aumentando com a oferta. 

Portanto, o valor do dólar deve cair.


Se essa queda é lenta ou abrupta, devido a um evento do Cisne Negro [1], resta saber.

Nota dos tradutores
[1]Cisne Negro” é um evento ou ocorrência fora do comum que é extremamente difícil de prever. O termo foi popularizado por Nassim Nicholas Taleb, um economista e investidor de Wall Street.
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[*] Paul Craig Roberts (nascido em 03 de abril de 1939) é um economista norte-americano, colunista do Creators Syndicate. Serviu como secretário-assistente do Tesouro na administração Reagan e foi destacado como um co-fundador da Reaganomics. Ex-editor e colunista do Wall Street Journal, Business Week eScripps Howard News Service. Testemunhou perante comissões do Congresso em 30 ocasiões em questões de política econômica. Durante o século XXI, Roberts tem frequentemente publicado em Counterpunch, escrevendo extensamente sobre os efeitos das administrações Bush (e mais tarde Obama) relacionadas com a guerra contra o terror, que ele diz ter destruído a proteção das liberdades civis dos americanos da Constituição dos EUA, tais como habeas corpus e o devido processo legal. Tem tomado posições diferentes de ex-aliados republicanos, opondo-se à guerra contra as drogas e a guerra contra o terror, e criticando as políticas e ações de Israel contra os palestinos. Roberts é um graduado do Instituto de Tecnologia da Geórgia e tem Ph.D. da Universidade de Virginia, pós-graduação na Universidade da Califórnia, Berkeley e na Faculdade de Merton, Oxford University.