Um produto ideológico faz parte de uma realidade (natural ou social ) como todo o corpo físico, instrumento de produção ou produto de consumo; mas, ao contrário destes, ele também reflete e retrata uma realidade, que lhe é exterior. Tudo o que é ideológico possui um significado e remete a algo situado fora de si mesmo. Em outros termos, tudo o que é ideológico é um signo. Sem signos não existe ideologia
(Mikhail Bakhtin, Marxismo e Filosofia de Linguagem)
Alguns comentários sobre o meio e a mensagem na internet.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Noam Chomsky e a Coruja de Minerva - Tempos de Guerra


Chomsky: “Triste espécie. Pobre coruja de Minerva”


“Nossa civilização teve início há 10 mil anos, entre o Tigre e o Eufrates. O que lá ocorre hoje fornece lições dolorosas sobre o abismo a que podemos chegar”

Por Noam Chomsky | Tradução: Tiago Franco

Não é agradável contemplar os pensamentos que devem estar passando pela mente da Coruja de Minerva, que alça voo ao cair do crepúsculo e toma para si a tarefa de interpretar cada era da civilização humana — esta mesma que pode, agora, estar se aproximando de um final inglório.

Nossa era começou há quase 10 mil anos, na região da Crescente Fértil. Estendeu-se, a partir das terras do Tigre e Eufrates, pela Fenícia, na costa oriental do Mediterrâneo, chegando ao vale do Rio Nilo e de lá para além da Grécia. O que está acontecendo nesta região fornece dolorosas lições sobre o abismo ao qual a espécie humana pode chegar.

As terras do rios Tigre e Eufrates têm sido palco de horrores indescritíveis nos últimos anos. A ofensiva de George W. Bush e Tony Blair em 2003, que muitos iraquianos compararam à invasão mongol do século XIII, foi mais um golpe letal. Destruiu grande parte do que havia sobrevivido às sanções da ONU, dirigidas por Bill Clinton contra o Iraque e condenadas como “genocídio” por ilustres diplomatas como Denis Halliday e Hans von Sponeck, que as administravam antes de renunciarem em protesto. Os devastadores relatórios de Halliday e von Sponeck receberam o tratamentos usualmente dispensado a fatos indesejados…

Uma das conseqüências terríveis da invasão estadunidense-britânica é descrita em um “guia visual para a crise no Iraque e na Síria” do New York Times: a radical mudança da Bagdá, que tinha bairros mistos em 2003, para os atuais enclaves sectários — sunitas ou xiitas — aprisionados em ódio amargo. Os conflitos causados pela invasão espalharam-se e estão agora rasgando toda a região em farrapos.




Boa parte da área do Tigre e Eufrates está dominada pelo ISIS e seu auto-proclamado Estado Islâmico. Uma caricatura sombria da forma mais extremista do Islã radical, que tem sua origem na Arábia Saudita.

Patrick Cockburn, um correspondente do The Independent no Oriente Médio e um dos mais bem informados analistas do ISIS, descreve-o como “uma organização horrível, fascista em muitos aspectos, muito sectária, que mata qualquer um que não acredite em sua particular e rigorosa imagem do Islã. ”



Cockburn também aponta a contradição na reação ocidental em relação ao aparecimento do ISIS: os esforços para conter o avanço do grupo no Iraque, contrastam com os outros, para minar o principal adversário do ISIS na Síria, o brutal regime de Bashar Assad. Enquanto isso, uma grande barreira para a expansão do ISIS até o Líbano é o Hezbollah, inimigo odiado pelo Estados Unidos e seu aliado israelense. E, para complicar ainda mais a situação, os EUA e o Irã partilham agora uma preocupação legítima sobre a ascensão do Estado Islâmico, assim como outros nesta região altamente conflituosa.

O Egito tem mergulhado em alguns de seus dias mais sombrios, sob uma ditadura militar que continua a receber o apoio dos EUA. O destino do país não está escrito nas estrelas. Durante séculos, caminhos alternativos têm sido bastante viáveis e , não raro, uma pesada mão imperial os tem barrado. Depois dos renovados horrores das últimas semanas, em Gaza, deve ser desnecessário comentar sobre o que emana de Jerusalém, considerada, em tempos remotos, um centro moral.

Oitenta anos atrás, Martin Heidegger exaltava a Alemanha nazista como sendo provedora da melhor esperança para resgatar a gloriosa civilização grega das mãos dos bárbaros do Leste e do Oeste. Hoje, banqueiros alemães esmagam a Grécia sob um regime econômico projetado para manter sua própria riqueza e poder.

O provável fim da Era da Civilização é prenunciado em um novo relatório esboçado pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) , o principal órgão de monitoramento sobre que está acontecendo no mundo físico.

O relatório conclui que o risco de aumentar a emissão de gases que contribuem para o efeito estufa é “severamente grave e terá impactos irreversíveis para os seres humanos e os ecossistemas” nas próximas décadas. O mundo está se aproximando de uma temperatura na qual já não será possível conter a perda da vasta camada de gelo sobre a Groenlândia. Juntamente com o derretimento do gelo antártico, que pode elevar o mar a níveis capazes de inundar grandes cidades, assim como planícies costeiras.

A Era da Civilização coincide intimamente com a época geológica do Holoceno, principiada há mais de 11 mil anos. A época anterior, Pleistoceno, durou 2,5 milhões de anos. Cientistas hoje sugerem que uma nova época começou há cerca de 250 anos: o Antropoceno, período no qual a atividade humana passou a ter impacto dramático no mundo físico. O ritmo das mudanças de épocas geológicas é difícil de ser ignorado.

Um dos índices do impacto humano, é a extinção das espécies. Estima-se hoje que esteja próxima à taxa de extinção verificada 65 milhões de anos atrás, quando um asteroide atingiu a Terra. Presume-se que tenha sido a causa do fim dos dinossauros, abrindo caminho para a proliferação de pequenos mamíferos e , em última instância, dos seres humanos modernos. Hoje, os humanos cumprem o papel do asteroide , condenando grande parte da vida à extinção.

O relatório do IPCC reitera que “a grande maioria” das reservas de combustíveis hoje conhecidas deve se mantida no solo, para evitar intoleráveis riscos para as gerações futuras. Entretanto, as grandes corporações de energia não se preocupam em esconder seus objetivos de explorar essas reservas e descobrir novas.

Um dia antes de publicar uma síntese das conclusões do IPCC, o New York Timesrelatou que um imenso estoque de grãos do Centro-Oeste dos Estados Unidos está apodrecendo, para que os produtos derivados do boom do petróleo da Dakota do Norte possam ser enviados, via ferroviária, para Ásia e Europa.

Uma das consequências mais temidas do aquecimento global antropocênico é o derretimento das regiões de pergelissolo (tipo de solo encontrado na região do Ártico). Um estudo na revista Science adverte que “mesmo temperaturas ligeiramente mais quentes [menos do que o previsto para os próximos anos] poderia começar o derretimento do pergelissolo, que, por sua vez, ameaça desencadear a liberação de grandes quantidades de gases de efeito estufa contidas no gelo,” com possíveis “consequências fatais” para o clima global.

http://corretorecologico.blogspot.com.br/2014/10/o-futuro-nebuloso-do-oceano-artico-nasa.html

Arundhati Roy sugere que “a mais apropriada metáfora para a insanidade de nossos tempos” é a Geleira de Siachen , onde soldados indianos e paquistaneses mataram uns aos outros no campo de batalha mais alto do mundo. A geleira agora está derretendo e revelando “milhares de granadas vazias, tambores de combustível vazios, machados para quebrar gelo, botas velhas, tendas e toda sorte de resíduos que milhares de seres humanos em guerra geram”, em um conflito sem sentido. E, enquanto as geleiras derretem, a Índia e o Paquistão enfrentam um desastre indescritível.

Triste espécie. Pobre Coruja.




segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Chomsky - Pimenta no dos Outros é Colírio

Chomsky: "Os ataques de Paris demonstram a hipocrisia da indignação Ocidental"

Publicado: 19 ene 2015 19:59 GMT | Última actualización: 19 ene 2015 19:59 GMT

O advogado Floyd Abrams tinha razão quando descreveu o ataque contra a redação de 'Charlie Hebdo' como "o assalto mais ameaçador contra o jornalismo na memória viva". O problema reside em que o Ocidente esquece seus próprios crimes, sublinha o linguista e filósofo norte americano Noam Chomsky

Ataque a RTV em Belgrado

"A razão está relacionada com o conceito de 'memória viva', uma categoria construída cuidadosamente para incluir Seus crimes contra Nós enquanto escrupulosamente excluímos Nossos crimes contra eles. Estes não são crimes, senão nobre defesa de valores mais elevados", explica assim Chomsky a lógica do Ocidente.

Chomsky recorda que em Abril de 1999 as forças da Otan realizaram um ataque aéreo massivo contra a emissora sérvia RTV que resultou na morte de 16 jornalistas em Belgrado. O porta voz do Pentágono, Kenneth Bacon, disse então em uma conferencia em Washington que "a televisão servia é uma parte importante da máquina de morte de Milosevic igual que seu Exército" e, portanto, um objetivo legitimo de ataque. 


"Não ocorreram manifestações ou gritos de indignação, não ocorreram clamores de 'Somos RTV', não ocorreram investigações sobre as raízes do ataque contra a cultura e a história cristã. Ao contrário, o ataque foi abafado pela imprensa. O prestigiado diplomada norte americano Richard Holbrooke, então enviado à Yugoslavia, descreveu o ataque contra RTV 'de enorme importância e progressão positiva'. Esta ideia foi compartida por outros", escreve Chomsky em um artigo citado por CNN. 

"Quanto mais culpamos nossos inimigos de alguns delitos, maior é a indignação; quando maior é nossa responsabilidade em um crime e, portanto, quanto mais podemos fazer para por-lhe fim -, menor é a preocupação, tendendo inclusive a esquece-lo ou nega-lo", resume o filósofo.





Fonte: http://actualidad.rt.com/actualidad/163881-chomsky-otan-yugoslavia-paris-hipocresia-occidente

Tradução: Julio Kling

domingo, 18 de janeiro de 2015

Guerra é Paz, Liberdade é Escravidão, Ignorância é Força

DOMINGO, 18 DE JANEIRO DE 2015
Paul Craig Roberts: “O futuro dos EUA será a ruína”
16/1/2015. [*] Paul Craig Roberts, Institute for Political Economy
Ruin Is Our Future − Paul Craig Roberts
Traduzido por mberublue


A única coisa excepcional dos Estado Unidos é a ignorância do povo e a estupidez do Governo


Os neoconservadores instalados em seus gabinetes em Washington devem estar em festa com seu sucesso em usar o episódio Charlie Hebdo para reunir a Europa ao redor da política externa dos Estados Unidos. Acabaram os votos dos franceses ao lado dos palestinos contra as posições EUA/Israel. Não mais crescerá a simpatia dos europeus em relação aos palestinos. Findou-se o crescimento da oposição europeia ao lançamento de mais e mais guerras no Oriente Médio. Não mais acontecerão as falas do presidente francês para que sejam suspensas as sanções contra a Rússia.


Mas por acaso os neoconservadores em Washington entenderam, também, que amarraram os europeus aos partidos políticos anti-imigração de extrema direita? A onda de apoio ao Charlie Hebdo é a mesma onda de apoio da Frente Nacional de Marine Le Pen, do Partido Independente do Reino Unido de Nigel Farage e do alemão PEGIDA em que está engolfada a Europa. Foi o fervor anti-imigração pensado e orquestrado para reunir europeus com Washington e Israel que deu a estes partidos a perspectiva de poder que hoje ostentam.


Mais uma vez os insolentes e arrogantes neoconservadores estão errados. O empoderamento dos partidos “Charlie Hebdo” de direita e anti-imigração tem o potencial de revolucionar a política europeia e destruir o império de Washington. Veja minha entrevista ao King World News com análises sobre o potencial que estes acontecimentos têm de mudar o jogo. /


Os relatos oriundos do jornal inglês Daily Mail e do site Zero Hedge de que a Rússia cortara totalmente as entregas de gás para seis países europeus deve ser incorreta. Reconhecendo embora a credibilidade destas fontes bem informadas, não se observa a turbulência política e financeira que aconteceria fatalmente se o relato fosse verdadeiro. Portanto, a menos que em relação a essa notícia esteja acontecendo um total blackout noticiário, as ações da Rússia foram mal interpretadas.


Sabemos que alguma coisa realmente aconteceu. Em caso contrário, não haveria como explicar a consternação expressa pelo assessor para a energia da União Europeia, Maros Sefcovic. Embora eu não tenha ainda uma informação definitiva, creio saber o que realmente ocorreu. A Rússia, cansada dos ladrões ucranianos, que roubam o gás que passa através do país em seu percurso até a Europa, tomou a decisão de dirigir o gás através da Turquia, descartando a Ucrânia.


O Ministro da Rússia para a Energia confirmou esta decisão acrescentando que caso os países europeus quiserem ter acesso a este suprimento de gás, deverão construir suas próprias estruturas ou gasodutos. Em outras palavras, não há corte no presente, mas há potencial para um corte no futuro.


Os dois eventos – Charlie Hebdo e a decisão russa de cessar a entrega de gás para a Europa através da Ucrânia – devem nos lembrar de não descartar eventuais black swans (acontecimentos anormais e que provocam consequências imprevisíveis – NT) e que black swans podem surgir de consequências não intencionais de decisões oficiais. Nem sempre o “superpoder” americano está imune a black swans.


Black Swan
foto: Bert-Kaufmann

Há tanta evidência circunstancial de que a CIA e a Inteligência Francesa são responsáveis pelo tiroteio no Charlie Hebdo como de que os disparos foram perpetrados pelos dois irmãos, cuja carteira de identidade foi convenientemente esquecida no suposto carro de fuga. Como a França agiu de forma a ter certeza de que os irmãos seriam mortos antes de poderem falar, nunca mais saberemos o que eles teriam a dizer a respeito dos acontecimentos.


A única evidência existente de que foram realmente os irmãos os culpados pelo atentado tem origem apenas nas alegações das forças de segurança. Sempre que ouço o governo falar acusatoriamente sobre evidências reais, lembro-me das “armas de destruição em massa” de Saddam Hussein, de que Assad “fazia uso de armas químicas” e o Irã “teria um programa de fabricação de armas nucleares”. Se um assessor da Segurança Nacional pode vislumbrar no ar rarefeito das alturas “uma nuvem em forma de cogumelo sobre as cidades americanas”, então Cherif e Said Kouachi podem muito bem ser transformados em assassinos. Afinal, eles estão mortos mesmo, não podem reclamar.


Se por acaso (e nunca saberemos) esta foi uma operação de falsa bandeira, então foi alcançado o objetivo de Washington de reunir a Europa com o patrocínio intencional de Washington e Israel. Porém há uma consequência involuntária neste sucesso. A consequência indesejada está em unir realmente a Europa, mas sob a bandeira da política de anti-imigração dos partidos de direita, reforçando as posições adrede adotadas pelos líderes destes partidos.


Caso estas suposições estejam corretas, então Marie Le Pen e Nigel Farage estarão com suas vidas e/ou reputações em perigo, pois Washington resistirá a qualquer ascensão de lideranças que não adotem as linhas impostas por Washington.

Marie Le Pen e Nigel Farage

A grande consternação causada pela decisão russa de redirecionar a entrega de gás para a Europa (através da Turquia, evitando a Ucrânia), é uma prova de que a Rússia tem muitas cartas que pode ainda jogar e que podem desestabilizar as estruturas financeiras do ocidente.


A China possui cartas semelhantes.


Os dois países ainda não estão jogando estas cartas sobre a mesa, pois pensam que ainda não precisam. Em vez disso, as duas potências estão se retirando do sistema financeiro que atende às diretrizes da hegemonia ocidental sobre o mundo. Os dois países estão criando todas as estruturas econômicas necessárias de que necessitam para se tornar completamente independentes do ocidente


Portando, perfeito o raciocínio dos governantes chineses e russos:


Para que aceitar a provocação e trocar bofetadas com os idiotas ocidentais... eles podem usar as armas nucleares que possuem e o mundo inteiro estaria perdido. Vamos aceitar as provocações que nos fazem mas simplesmente nos afastar, já que neste sentido nos encorajam.


Sejamos pois agradecidos ao fato de que Vladimir Putin e os líderes chineses são inteligentes e humanos, ao contrário dos líderes ocidentais


Imaginem as terríveis consequências para o ocidente se Putin vir a se tornar pessoalmente envolvido como resultado das numerosas afrontas que sofrem atualmente tanto a Rússia como ele próprio. Putin pode destruir a OTAN e o sistema financeiro ocidental inteiro no momento que quiser. Tudo o que ele precisa é anunciar que, como a OTAN declarou guerra econômica contra a Rússia, a Rússia não mais venderá energia para os membros da OTAN.


A consequência imediata seria a dissolução da OTAN, pois a Europa não pode sobreviver sem os suprimentos energéticos da Rússia. Seria o fim do império de Washington.


Putin compreende perfeitamente que os neoconservadores não hesitariam em apertar o botão nuclear em defesa da vergonha na cara que não têm. Ao contrário de Putin, seus egos estão na linha de frente. Assim, Putin salva o mundo da destruição simplesmente não aceitando as provocações.


Agora, imagine se o governo chinês finalmente perder a paciência com Washington. Para confrontar o “excepcional, indispensável, único poder” com a sua realidade de impotência, tudo o que a China precisa fazer é colocar no mercado seus ativos financeiros massivos, denominados em dólar, tudo de uma vez só, da mesma forma que os negociadores de metais preciosos do Federal Reserve colocam massivamente no mercado futuro contratos de ouro a descoberto.


Na intenção de evitar um colapso financeiro dos Estados Unidos, o Federal Reserve teria que necessariamente imprimir quantidades massivas de novos dólares com o qual compraria a avalanche de títulos objetos de dumping despejados no mercado pelos chineses. O Federal Reserve naturalmente iria proteger o mercado através da compra das participações chinesas que estariam sendo objeto de dumping. Nesse caso, os chineses nada perderiam com a venda. Mas em seguida, vem a jogada fatal. O governo chinês simplesmente lançaria no mercado a quantidade massiva de dólares que teria recebido pela venda de seus ativos financeiros denominados em dólar.


O que aconteceria em seguida? O Federal Reserve pode imprimir dólares com os quais compraria os ativos financeiros chineses denominados em dólar, mas não pode imprimir moeda estrangeira para comprar os dólares lançados ao mercado.


Não haveria compradores para as quantidades massivas de dólares despejados no mercado pelos chineses. De forma lógica, o dólar rapidamente perderia valor de compra. Washington não mais poderia pagar suas contas com a singela impressão de dinheiro. Os americanos, que vivem em um país dependente de importações, graças aos empregos que foram deslocados para outros países, se veriam em face de altos preços que afetariam de forma severa seu modo de vida, que seria corroído. No final, os Estados Unidos se veriam em situação de instabilidade econômica, social e política.


Deixando de lado suas lavagens cerebrais, seus apoios defensivos e patrióticos ao regime em Washington, os norte americanos precisam perguntar a si mesmos: como pode o governo dos Estados Unidos, autointitulada uma superpotência ser tão inconsciente de suas próprias vulnerabilidades a ponto de ficar cutucando com vara curta dois poderes reais até que percam a paciência e joguem suas cartas?


Os norte americanos precisam entender que a única coisa realmente excepcional sobre os Estado Unidos é a ignorância da população e a estupidez de seus governantes.
Qual outro país no mundo deixa para um bando de vigaristas e crápulas de Wall Street o controle de sua economia e de sua política externa, o domínio total de seu Banco Central e de seu tesouro, subordinando o interesse de seus cidadãos aos interesses gananciosos do bolso de um por cento?


Despreocupadamente, a população está à mercê de Rússia e China. Totalmente.


Ontem houve um novo evento tipo black swan, o qual poderia desencadear outros eventos similares: o Banco Central da Suíça anunciou o fim da indexação do franco suíço ao euro e ao dólar.


Três anos atrás a fuga de dólares e euros para o franco suíço elevou tanto o valor de troca do franco que este passou a ameaçar a própria existência da indústria suíça de exportação. O país então anunciou que qualquer afluxo de moedas estrangeiras para o franco seria possível apenas com a criação de novos francos que pudesse absorver os fluxos de moeda estrangeira de maneira que não elevasse ainda mais a taxa de câmbio futura. Em outras palavras, a Suíça indexou o franco.


Ontem o Banco Central suíço anunciou que a indexação acabou. O franco no mesmo instante teve forte alta. Ações de companhias suíças tiveram queda significativa, e fundos de hedgeerradamente posicionados sofreram grande golpe para sua solvência.


Por que a Suíça desindexou o franco? Não se trata de uma ação sem custos. Para seu Banco Central e sua indústria de exportação, o custo será substancial.


Encontraremos a resposta na União Europeia. O Procurador-Geral da UE julga que é permissível para o Banco Central da União Europeia iniciar uma ação de Quantitative Easing (flexibilização monetária, facilitação monetária, facilitação quantitativa, etc. No fundo, trata-se de imprimir dinheiro sem lastro, do nada. Usa-se quando um país está na iminência de deflação, para estimular alguma inflação. Inunda-se o mercado de dinheiro, através dos bancos, na esperança de que isso estimule a produção, através do aumento do crédito. O que acaba acontecendo é a crescente capitalização dos bancos, sem que o dinheiro chegue ao mercado. Uma quimera. – NT), ou seja, a impressão de novos euros – na intenção de consertar as burradas de banqueiros privados. Isso significa que a comunidade financeira da Suíça ficaria na expectativa de uma fuga maciça do euro e o Banco Central suíço acredita que teria que imprimir francos em quantidades tão grandes que a base de oferta da moeda suíça explodiria, superando em muito o PIB suíço.


Quantitative Easing gera colapso financeiro

A política de imprimir dinheiro sem lastro dos Estados Unidos, Japão e agora presumivelmente da União Europeia tem forçado outros países a inflar suas próprias moedas na intenção de prevenir-se contra o aumento do valor de troca de suas moedas, o que afetaria sua capacidade de exportação para ganhar moedas estrangeiras com as quais pagar suas importações. Assim, Washington está forçando o mundo a imprimir dinheiro.


Pois a Suiça resolveu saltar fora deste sistema. Seguir-se-ão outros? Será que o mundo vai simplesmente seguir os governos de Rússia e China em seus novos arranjos monetários, virando as costas para o ocidente corrupto e incorrigível?


O nível de corrupção e manipulação que caracteriza a economia dos Estados Unidos e sua política externa atualmente era impossível em outros tempos, quando a ambição e Washington era pressionar a União Soviética. A ganância pelo poder hegemônico fez de Washington o governo mais corrupto do planeta.


A consequência da corrupção é a ruína.


“A liderança é a passagem para o império. O império gera a insolência. A insolência traz a ruína.”


O futuro dos EUA é a ruína.


[*] Paul Craig Roberts (nascido em 03 de abril de 1939) é um economista norte-americano, colunista do Creators Syndicate. Serviu como secretário-assistente do Tesouro na administração Reagan e foi destacado como um co-fundador da Reaganomics. Ex-editor e colunista do Wall Street Journal, Business Week e Scripps Howard News Service. Testemunhou perante comissões do Congresso em 30 ocasiões em questões de política econômica. Durante o século XXI, Roberts tem frequentemente publicado em Counterpunch e no Information Clearing House, escrevendo extensamente sobre os efeitos das administrações Bush (e mais tarde Obama) relacionadas com a guerra contra o terror, que ele diz ter destruído a proteção das liberdades civis dos americanos da Constituição dos EUA, tais como habeas corpus e o devido processo legal. Tem tomado posições diferentes de ex-aliados republicanos, opondo-se à guerra contra as drogas e a guerra contra o terror, e criticando as políticas e ações de Israel contra os palestinos. Roberts é graduado do Instituto de Tecnologia da Geórgia e tem Ph.D. da Universidade de Virginia, com pós-graduação na Universidade da Califórnia, Berkeley e na Faculdade de Merton, Oxford University.


segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Fidel - Para Nunca Esquecer

14 de outubro de 2014 - 11h00 

Fidel Castro: O que não poderá ser esquecido nunca

Domingo, dia 12 de outubro, pela manhã, a edição dominical na internet do New York Times – órgão de imprensa que em determinadas circunstâncias traça pautas sobre a linha política mais conveniente aos interesses de seu país, publicou um artigo que intitulou "Tempo de acabar o embargo a Cuba"; com opiniões do que a seu julgamento, deve seguir o país.


Por Fidel Castro, no Granma*


Reprodução
O líder histórico da Revolução Cubana, Fidel Castro, torna público um artigo intitulado "O que não poderá ser esquecido nunca", se referindo ao artigo "Tempo de acabar o embargo a Cuba" publicado no <i>New York Times</i>.O líder histórico da Revolução Cubana, Fidel Castro, torna público um artigo intitulado "O que não poderá ser esquecido nunca", se referindo ao artigo "Tempo de acabar o embargo a Cuba" publicado no New York Times.


Há momentos em que tais artigos são assinados por algum prestigiado jornalista, como alguém a quem tive o privilégio de conhecer pessoalmente nos primeiros dias de nossa luta em Sierra Maestra com os restos de uma força que tinha sido quase totalmente eliminada pela aviação e pelo exército de Batista. Éramos então bastante inexperientes; nem sequer concebíamos que dar essa impressão de fortaleza à imprensa constituía algo que pudesse merecer uma crítica.

Não era bem como pensava aquele valente correspondente de guerra com uma história que lhe deu nome nos tempos difíceis da luta contra o fascismo: Herbert Matthews.

Nossa suposta capacidade de luta em fevereiro de 1957 era um pouco menor, porém mais que suficiente para desgastar e derrotar o regime.

Carlos Rafael Rodríguez, dirigente do Partido Socialista Popular, foi testemunha do que, após a Batalha de Jigüe, em que uma unidade completa de tropas seletas foi obrigada a capitular depois de 10 dias de combate, expressei sobre meu temor de que as forças do regime fossem se render em julho de 1958, quando suas tropas de elite se retiravam precipitadamente de Sierra Maestra, apesar de treinadas e assessoradas pelos vizinhos do norte. Tínhamos encontrado a forma adequada para derrotá-las.

Era inevitável estender-me um pouco neste ponto se desejasse explicar o ânimo com que li o mencionado artigo do jornal norte-americano no domingo passado. Citarei suas partes essenciais que irão entre aspas: 

"... o Presidente Obama deve sentir angústia ao contemplar o lamentável estado das relações bilaterais que sua administração tem tentado consertar. Seria sensato que o líder estadunidense reflita seriamente sobre Cuba, onde uma virada política poderia representar uma grande vitória para seu governo." 

"Pela primeira vez, em mais de meio século, mudanças na opinião pública estadunidense e uma série de reformas em Cuba, têm feito que seja politicamente viável retomar relações diplomáticas e acabar com um embargo insensato. O regime dos Castro tem utilizado o referido embargo para justificar suas falhas e tem mantido o seu povo bastante isolado do resto do mundo. Obama deve aproveitar a oportunidade para dar fim a uma longa era de inimizade, e ajudar um povo que tem sofrido enormemente desde que Washington cortou relações diplomáticas em 1961, dois anos após Fidel Castro chegar ao poder." 

"...o deplorável estado de sua economia tem obrigado Cuba a implementar reformas. O processo tornou-se mais urgente a raiz da crise financeira na Venezuela, dado que Caracas proporciona-lhe petróleo subsidiado. Com o temor de que a Venezuela tenha que cortar sua ajuda, líderes na ilha dão passos importantes para liberar e diversificar uma economia que historicamente tem controles rígidos." 

"...o governo cubano começou a permitir que seus cidadãos se empreguem no setor privado e que vendam propriedades como automóveis e casas. Em março, a Assembleia Nacional de Cuba aprovou uma lei com o fim de atrair investimento estrangeiro. (...) Em abril, diplomatas cubanos começaram a negociar os termos de um tratado de cooperação que esperam assinar com a União Europeia. Participam das primeiras reuniões preparados, ansiosos e conscientes de que os europeus vão pedir maiores reformas e liberdades civis.

"O governo autoritário segue perseguindo dissidentes, que frequentemente são detidos por períodos curtos. Havana não explicou a suspeita morte do ativista político Oswaldo Payá”. 

Como pode ser apreciada uma acusação caluniosa e gratuita.

"No ano passado flexibilizaram as restrições de viagem para os cubanos, o que permitiu que dissidentes proeminentes viajassem ao exterior. Na atualidade, existe um ambiente de maior tolerância para aqueles que criticam seus líderes na ilha, mas muitos ainda temem as repercussões de falar abertamente e exigir maiores direitos". 

"O processo das reformas tem sido lento e tido reveses. Mas em conjunto, estas mudanças demonstram que Cuba está se preparando para uma era pós-embargo. O governo afirma que retomaria com gosto as relações diplomáticas com os Estados Unidos sem condições prévias". 

"Como primeiro passo, a Casa Branca deve retirar Cuba da lista que mantém o Departamento de Estado para penalizar países que respaldam grupos terroristas. Atualmente, as únicas outras nações na lista são Sudão, Irã e Síria. Cuba foi incluída em 1982 por seu apoio a movimentos rebeldes na América Latina, ainda que esse tipo de vínculo já não exista. Atualmente, o governo estadunidense reconhece que Havana está jogando um papel construtivo no processo de paz na Colômbia, servindo de anfitrião para os diálogos entre o governo colombiano e líderes da guerrilha”.

"As sanções por parte dos Estados Unidos à ilha começaram em 1961 com o objetivo de expulsar Fidel Castro do poder. Através dos anos, vários líderes estadunidenses têm concluído que o embargo tem sido um erro. Apesar disso, qualquer iniciativa para eliminá-lo traz consigo o risco de enfurecer membros do exílio cubano, um grupo eleitoral que tem sido decisivo nas eleições nacionais. (...) a geração de cubanos que defendem o bloqueio está desaparecendo. Membros das novas gerações têm diferentes pontos de vista, e muitos sentem que o embargo tem sido contraproducente para fomentar uma mudança política. Segundo uma recente pesquisa, 52% de norte-americanos de origem cubana em Miami pensam que deve terminar o bloqueio. Uma ampla maioria quer que os países voltem a ter relações diplomáticas, uma posição que compartilha o eleitorado norte-americano em geral". 

"Cuba e Estados Unidos têm sedes diplomáticas em suas capitais, conhecidas como seções de interesse, que desempenham as funções de uma embaixada. No entanto, os diplomatas estadunidenses têm poucas oportunidades de sair da capital para interagir com o povo cubano e seu acesso aos dirigentes da ilha é muito limitado". 

"Em 2009, a administração Obama tomou uma série de passos importantes para flexibilizar o embargo, facilitando o envio de remessas à ilha e autorizando um maior número de cubanos radicados nos Estados Unidos a viajar à ilha. Também criou planos que permitiriam ampliar o acesso à telefonia celular e internet na ilha. Mesmo assim, seria possível fazer mais. Por exemplo, se poderia eliminar as restrições às remessas, autorizar mecanismos de investimento nas novas microempresas cubanas e expandir as oportunidades para norte-americanos que desejem viajar à ilha." 

"Washington poderia fazer mais para respaldar as empresas norte-americanas que têm interesse em desenvolver o setor de telecomunicações em Cuba. Poucas se atreveram por temor às possíveis repercussões legais e políticas." 

"Por não fazer, os Estados Unidos estaria cedendo o mercado cubano a seus rivais. Os presidentes da China e da Rússia viajaram a Cuba em julho tendo em vista ampliar os vínculos". 

"O nível e envergadura da relação poderia crescer significativamente, dando a Washington mais ferramentas para respaldar reformas democráticas. É factível que ajude a frear uma nova onda migratória de cubanos sem esperança que estão viajando para os Estados Unidos em balsas". 

"Uma relação mais saudável poderia ajudar a resolver o caso de Alan Gross, um especialista em desenvolvimento que está há quase cinco anos detido na ilha. E mais ainda, criaria novas oportunidades para fortalecer a sociedade civil, com as quais gradualmente se diminuiria o controle que exerce o Estado sobre a vida dos cubanos. Se bem que a Casa Branca pode tomar certos passos unilateralmente, desmantelar o embargo requereria uma ação legislativa em Washington".

"... vários líderes do hemisfério se reunirão na Cidade do Panamá por ocasião da sétima Cimeira das Américas. Vários governos da América Latina fizeram questão de convidar Cuba, rompendo assim com a tradição de excluir a ilha por exigência de Washington." 

"Dada a quantidade de crises a nível mundial, é possível que a Casa Branca considere que dar uma virada substancial em sua política em relação a Cuba não é uma prioridade. Todavia, uma aproximação com a ilha mais povoada do Caribe que incentive o desbloqueio do potencial dos cidadãos de uma das sociedades mais educadas do hemisfério, poderia representar um importante legado para a administração. Também ajudaria a melhorar as relações dos Estados Unidos com vários países da América Latina e a impulsionar iniciativas regionais que sofrem como consequência do antagonismo entre Washington e Havana." 

"... Após o convite a Cuba para a cúpula, a Casa Branca não confirmou se Obama participará." 

"Tem que fazê-lo. Seria importante que se fizesse presente e considerasse como uma oportunidade para desencadear uma conquista histórica". 

Uma das sociedades mais educadas do hemisfério!!!! Isso sim que é um reconhecimento. Mas, por que não diz de uma vez, que em nada se parece ao que nos legou Harry S. Truman quando seu aliado e grande saqueador do tesouro público Fulgêncio Batista assaltou o poder em 10 de março de 1952, a somente 50 dias das eleições gerais. Aquilo não poderá ser esquecido nunca.

O artigo está escrito, como pode ser apreciado, com grande habilidade, buscando o maior benefício para a política norte-americana na complexa situação, quando se acrescentam os problemas políticos, econômicos, financeiros e comerciais. A isso se somam os derivados da mudança climática acelerada; a concorrência comercial; a velocidade, precisão e poder destrutivo de armas que ameaçam a sobrevivência da humanidade. O que hoje se escreve tem uma conotação muito diferente do que divulgavam há apenas 40 anos, quando nosso planeta se via já obrigado a albergar e abastecer de água e alimentos ao equivalente da metade da população mundial atual. Isto sem mencionar a luta contra o Ebola que ameaça a saúde de milhões de pessoas.

Acrescente-se que dentro de alguns dias a comunidade mundial irá expor ante as Nações Unidas se está de acordo ou não com o bloqueio a Cuba.

*Publicado no jornal Granma e traduzido pela Prensa Latina, o artigo intitulado de Fidel Castro se referindo ao artigo "Tempo de acabar o embargo a Cuba" publicado no diário The New York Times.

Fonte: http://www.vermelho.org.br/noticia/251328-7

quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

O Grande Irmão do Norte prepara o Conflito do Fim dos Tempos - Se não for meu Não será de ninguém.





Boaventura de Sousa Santos

A Terceira Guerra Mundial?

É uma guerra provocada unilateralmente pelos EUA com a cumplicidade da Europa. O alvo principal é a Rússia e, indiretamente, a China. O pretexto é a Ucrânia.


Tudo leva a crer que está em preparação a terceira guerra mundial, se entendermos por “mundial” uma guerra que tem o seu teatro principal de operações na Europa e se repercute em diferentes partes do mundo. É uma guerra provocada unilateralmente pelos EUA com a cumplicidade ativa da Europa. O seu alvo principal é a Rússia e, indiretamente, a China. O pretexto é a Ucrânia. Num raro momento de consenso entre os dois partidos, o Congresso dos EUA aprovou no passado dia 4 de dezembro a Resolução 758 que autoriza o Presidente a adotar medidas mais agressivas de sanções e de isolamento da Rússia, a fornecer armas e outras ajudas ao governo da Ucrânia e a fortalecer a presença militar dos EUA nos países vizinhos da Rússia. A escalada da provocação à Rússia tem vários componentes que, no conjunto, constituem a segunda guerra fria. Nesta, ao contrário da primeira, a Europa é um participante ativo, ainda que subordinado aos EUA, e assume-se agora a possibilidade de guerra total e, portanto, de guerra nuclear. Várias agências de segurança fazem planos já para o Day After de um confronto nuclear.


Os componentes da provocação ocidental são três: sanções para debilitar a Rússia; instalação de um governo satélite em Kiev; guerra de propaganda. As sanções são conhecidas, sendo a mais insidiosa a redução do preço do petróleo, que afeta de modo decisivo as exportações de petróleo da Rússia, uma das mais importantes fontes de financiamento do país. O orçamento da Rússia para o próximo ano foi elaborado com base no preço do petróleo à razão de 100 dólares por barril. A redução do preço combinada com as outras sanções e a desvalorização do rublo agravarão perigosamente o déficit orçamental. Esta redução trará o benefício adicional de criar sérias dificuldades a outros países considerados hostis (Venezuela, Irã e Equador). A redução é possível graças ao pacto celebrado entre os EUA e a Arábia Saudita, nos termos do qual os EUA protegem a família real (odiada na região) em troca da manutenção da economia dos petrodólares (transações mundiais de petróleo denominadas em dólares), sem os quais o dólar colapsa enquanto reserva internacional e, com ele, a economia dos EUA, o país com a maior e mais obviamente impagável dívida do mundo.

O segundo componente é o controle total do governo da Ucrânia de modo a transformar este país num estado satélite. O respeitado jornalista Robert Parry (que denunciou o escândalo do Irã-contra) informa que a nova ministra das finanças da Ucrânia, Natalie Jaresko, é uma ex-funcionária do Departamento de Estado, cidadã dos EUA, que obteve cidadania ucraniana dias antes de assumir o cargo. Foi até agora presidente de várias empresas financiadas pelo governo norte-americano e criadas para atuar na Ucrânia. Agora compreende-se melhor a explosão, em fevereiro passado, da secretária de estado norte-americana para os assuntos europeus, Victoria Nulland: “Fuck the EU”. O que ela quis dizer foi: “Raios! A Ucrânia é nossa. Pagamos para isso”.

O terceiro componente é a guerra de propaganda. Os grandes media e seus jornalistas estão a ser pressionados para difundirem tudo o que legitime a provocação ocidental e ocultarem tudo o que a questione. Os mesmos jornalistas que, depois dos briefings nas embaixadas dos EUA e em Washington, encheram as páginas dos seus jornais com a mentira das armas de destruição massiva de Saddam Hussein, estão agora a enchê-las com a mentira da agressão da Rússia contra a Ucrânia. Peço aos leitores que imaginem o escândalo mediático que ocorreria se se soubesse que o Presidente da Síria acabara de nomear um ministro iraniano a quem dias antes concedera a nacionalidade síria. Ou que comparem o modo como foram noticiados e analisados os protestos em Kiev em fevereiro passado e os protestos em Hong Kong das últimas semanas. Ou ainda que avaliem o relevo dado à declaração de Henri Kissinger de que é uma temeridade estar a provocar a Rússia. Outro grande jornalista, John Pilger, dizia recentemente que, se os jornalistas tivessem resistido à guerra de propaganda, talvez se tivesse evitado a guerra do Iraque em que morreram até ao fim da semana passada 1.455.590 iraquianos e 4801 soldados norte-americanos. Quantos ucranianos morrerão na guerra que está a ser preparada? E quantos não-ucranianos?

Estamos em democracia quando 67% dos norte-americanos são contra a entrega de armas à Ucrânia e 98% dos seus representantes votam a favor? Estamos em democracia na Europa quando países da UE membros da NATO podem estar a ser conduzidos, à revelia dos cidadãos, a travar uma guerra contra a Rússia em benefício dos EUA, ou quando o parlamento europeu segue nas suas rotinas de conforto enquanto a Europa está a ser preparada para ser o próximo teatro de guerra, e a Ucrânia, a próxima Líbia?

As razões da insanidade 

Para entender o que se está a passar é preciso ter em conta dois fatos: o declínio dos EUA enquanto país hegemônico; o negócio altamente lucrativo da guerra. O declínio do poder econômico-financeiro é cada vez mais evidente. Depois do 11 de Setembro de 2001, a CIA financiou um projeto chamado “projeto profecia” destinado a prever possíveis novos ataques aos EUA a partir de movimentos financeiros estranhos e de grande envergadura. Sob diferentes formas, esse projeto tem continuado, e um dos seus participantes prevê o próximo crash do sistema financeiro com base nos seguintes sinais: a Rússia e a China, os maiores credores dos EUA, têm vindo a vender os títulos do tesouro e em troca têm vindo a adquirir enormes quantidades de ouro; estranhamente, este títulos têm vindo a ser comprados em grandes quantidades por misteriosos investidores belgas e muito acima da capacidade deste pequeno país (especula-se se o próprio banco de reserva federal não estará envolvido nesta operação); aqueles dois países estão cada vez mais a usar as suas moedas e não os petrodólares nas transações de petróleo (todos se recordam que Saddam e Kadafi procuraram usar o euro e o preço que pagaram pela ousadia); finalmente, o FMI (o cavalo de Troia) prepara-se para que o dólar deixe de ser nos próximos anos a moeda de reserva e seja substituída por uma moeda global, os SDR (special drawing rights).

Para os autores do projeto profecia, tudo isto indica que um ataque aos EUA está próximo e que para este se defender tem de manter os petrodólares a todo o custo, assegurando o acesso privilegiado ao petróleo e ao gás, tem de conter a China e tem de debilitar a Rússia, idealmente provocando a sua desintegração, tipo Jugoslávia. Curiosamente, os “especialistas” que veêm na venda da dívida uma atitude hostil por parte de potências agressoras são os mesmos que aconselham os investidores norte-americanos a procederem da mesma maneira, isto é, a desfazerem-se dos títulos, a comprar moedas de ouro e a investirem em bens sem os quais os humanos não podem viver: terra, água, alimentos, recursos naturais, energia.

Transformar os sinais óbvios de declínio em previsões de agressão visa justificar a guerra como defesa. Ora a guerra é altamente lucrativa devido à superioridade dos EUA na condução da guerra, no fornecimento de equipamentos e nos trabalhos de reconstrução. E a verdade é que, como escreveu Howard Zinn, os EUA têm estado permanentemente em guerra desde a sua fundação. Acresce que, ao contrário da Europa, a guerra nunca será travada em solo norte-americano, salvo, claro, o caso de guerra nuclear. Em 14 de Outubro de 2014, o New York Times divulgava o relatório da CIA sobre o fornecimento clandestino e ilegal de armas e financiamento de guerras nos últimos 67 anos em muitos países, entre eles, Cuba, Angola e Nicarágua. Esta notícia serviu para que Noam Chomsky dissesse em “The Laura Flanders Show” que aquele documento só podia ter o seguinte título: “Yes, we declare ourselves to be the world´s leading terrorist state. We are proud of it” (“Sim, declaramos que somos o maior estado terrorista do mundo e temos orgulho nisso”).

Um país em declínio tende a tornar-se caótico e errático na sua política internacional. Immanuel Wallerstein refere que os EUA se transformaram num canhão descontrolado (a loose canon), um poder cujas ações são imprevisíveis, incontroláveis e perigosas para ele próprio e para os outros. A consequência mais dramática é que esta irracionalidade se repercute e intensifica na política dos seus aliados. Ao deixar-se envolver na nova guerra fria, a Europa, não só atua contra os seus interesses económicos, como perde a relativa autonomia que tinha construído no plano internacional depois de 1945. A Europa tem todo o interesse em continuar a intensificar as suas relações comerciais com a Rússia e em contar com esta como fornecedora de petróleo e gás. As sanções contra a Rússia podem a vir a afetar mais a Europa que a Rússia. Ao alinhar-se com o militarismo da OTAN onde os EUA têm total preponderância, a Europa põe a economia europeia ao serviço da política geoestratégica dos EUA, torna-se energeticamente mais dependente dos EUA e dos seus estados satélites, perde a oportunidade de se expandir com a entrada da Turquia na União Europeia. E o mais grave é que esta irracionalidade não é o mero resultado de um erro da avaliação dos interesses dos europeus. É muito provavelmente um ato de sabotagem por parte das elites neoconservadoras europeias no sentido de tornar a Europa mais dependente dos EUA, tanto no plano energético e
econômico, como no plano militar.

Por isso, o aprofundamento do envolvimento na OTAN e o tratado de livre comércio entre a UE e os EUA (parceria transatlântica de investimento e comércio) são os dois lados da mesma moeda. 

Pode argumentar-se que a nova guerra fria, tal como a anterior, não conduzirá a um enfrentamento total. Mas não esqueçamos que a primeira guerra mundial foi considerada, quando começou, uma escaramuça que não duraria mais de uns meses. Durou quatro anos e custou entre 9 e 15 milhões de mortos.


quarta-feira, 26 de novembro de 2014

A CIA - A Cadela Fascista está sempre no CIO - Controlando a "Mass Media"


Jornalista alemão denuncia controle da CIA sobre a mídia; diz que noticiário estimula guerra com a Rússia
publicado em 25 de novembro de 2014 às 15:49


jornalista

Udo Ulfkotte, que trabalhou no Frankfurter Allgemeine Zeitung, fala à Russia Today
sugerido pela Conceição Oliveira

Tradução parcial da entrevista reproduzida em vídeo abaixo

Sou jornalista há 25 anos, e fui criado para mentir, trair, e não dizer a verdade ao público. Mas vendo agora, e nos últimos meses, o quanto … como alemão a mídia dos EUA tentar trazer a guerra para os europeus, para trazer a guerra à Rússia. Este é um ponto de não retorno, e eu vou me levantar e dizer … que o que eu fiz no passado, não é correto, manipular as pessoas, para fazer propaganda contra a Rússia e o que os meus colegas fizeram no passado, porque eles são subornados para trair o povo, não só na Alemanha, mas de toda a Europa.




A razão para este livro é que estou muito preocupado com uma nova guerra na Europa, e eu não quero de novo a situação, porque a guerra nunca vem de si mesmo, há sempre pessoas atrás que levam à guerra, e não é só políticos, jornalistas também.

Eu só escrevi no livro sobre como traimos no passado nossos leitores apenas para empurrar para a guerra, e porque eu não quero isso, eu estou cansado dessa propaganda. Nós vivemos em uma república de bananas, não é um país democrático, onde teríamos a liberdade de imprensa, direitos humanos.

[...]

Se você olhar para a mídia alemã, especialmente os meus colegas que, dia após dia, escrevem contra os russos, que estão em organizações transatlânticas, que são apoiados pelos Estados Unidos para fazer isso, pessoas como eu. Eu me tornei um cidadão honorário do Estado de Oklahoma. Por que exatamente? Só porque eu escrevia pró-Estados Unidos. Eu escrevia pro-Estados Unidos e fui apoiado pela Agência Central de Inteligência, a CIA. Por quê? Porque eu tinha que ser pró-americano.

Estou cansado disso. Eu não quero! E assim que eu acabei de escrever o livro — não para ganhar dinheiro, não, ele vai me custar um monte de problemas — só para dar às pessoas, neste país, a Alemanha, na Europa e em todo o mundo, apenas para dar-lhes um vislumbre do que se passa por trás das portas fechadas.





Sim, existem muitos exemplos disso: se você voltar na história, em 1988, se você for ao seu arquivo, você encontrará em março de 1988 que os curdos do Iraque foram atacados com gás tóxico, o que se tornou conhecido em todo o mundo. Mas em julho de 1988, eles [o jornal alemão] me mandaram para uma cidade chamada Zubadat, que fica na fronteira entre Iraque e Irã.

Foi na guerra entre iranianos e iraquianos, e eu fui enviado para lá para fotografar como os iranianos tinham sido atacados com gases venenosos, gás venenoso alemão. Sarin, gás mostarda, fabricado pela Alemanha. Eles foram mortos e eu estava lá para tirar fotos de como essas pessoas foram atacadas com gás venenoso da Alemanha. Quando voltei para a Alemanha, só saiu uma pequena foto no jornal, o Frankfurter Allgemeine, e saiu apenas uma pequena seção sem descrever como era impressionante, brutal, desumano e terrível, matar … matar, décadas após a Segunda Guerra Mundial, o povo com gás venenoso alemão.

Foi uma situação em que eu me senti abusado por estar lá apenas para fazer um documentário sobre o que tinha acontecido, mas não estar autorizado a revelar ao mundo o que tínhamos feito atrás das portas fechadas. Até hoje, não é bem conhecido do público alemão que havia gás alemão, houve centenas de milhares de pessoas atingidas nesta cidade de Zubadat.

Agora, você me perguntou o que eu fiz para as agências de inteligência. Então, por favor, entenda que a maioria dos jornalistas que você vê em outros países afirmam ser jornalistas, e eles poderiam ser jornalistas, jornalistas europeus ou americanos … mas muitos deles, como eu no passado, são supostamente chamado de “informantes não-oficiais”.

É assim que os americanos chamam. Eu era um “informante não-oficial”. A cobertura extra-oficial, o que isso significa?

Isso significa que você trabalha para uma agência de inteligência, você os ajuda se eles querem que você para ajude, mas nunca, nunca [...] quando você for pego, se descobrem que você não é só um jornalista, mas também um espião, eles nunca dirão “era um dos nossos.”

Isso é o que significa uma cobertura extra-oficial. Então, eu ajudei-os várias vezes, e agora eu me sinto envergonhado por isso também. Da mesma forma que eu sinto vergonha de ter trabalhado para jornais como o Frankfurter Allgemeine, porque eu fui subornado por bilionários, subornado pelos norte-americanos para não refletir com precisão a verdade .

[...]

Eu só imaginava, quando eu estava no meu carro para vir a esta entrevista, tentei perguntar o que teria acontecido se eu tivesse escrito um artigo pró-russo no Frankfurter Allgemeine. Bem, eu não sei o que teria acontecido. Mas todos nós fomos ensinados a escrever artigos pró-europeus, pró-americanos, mas por favor não pró-russos. Portanto, estou muito triste por isso …. Mas não é assim que eu entendo a democracia, a liberdade de imprensa, e eu realmente sinto muito por isso.

[...]

Sim, eu entendi a pergunta. A Alemanha ainda é uma espécie de colônia dos EUA, você verá em muitos aspectos; como [o fato de que] a maioria dos alemães não querem ter armas nucleares em nosso país, mas ainda temos armas nucleares americanas.

Então, sim, nós ainda somos uma espécie de colônia americana e, por ser uma colônia, é muito fácil de se aproximar de jovens jornalistas através de (e isso é muito importante) organizações transatlânticas.

Todos os jornalistas de jornais alemães altamente respeitados e recomendados, revistas, estações de rádio, canais de TV, são todos membros ou convidados destas grandes organizações transatlânticas. E nestas organizações transatlânticas, você é abordado por ser pró-americano. Não há ninguém que vem a você e diz: “Nós somos a CIA. Gostaria de trabalhar para nós? “. Não! Esta não é a maneira que acontece.

O que essas organizações transatlânticas fazem é convidá-lo para ver os Estados Unidos, pagam por isso, pagam todas as suas despesas, tudo. Assim, você é subornado, você se torna mais e mais corrupto, porque eles fazem de você um bom contato. Então, você não vai saber que esses bons contatos, digamos, não-oficiais, são de pessoas que trabalham para a CIA ou outras agências dos EUA.

Então, você faz amigos, você acha que você é amigo e você vai cooperar com eles. E se perguntam: “Você poderia me fazer um favor?”. Em seguida, seu cérebro passa por uma lavagem cerebral. A pergunta: é apenas o caso com jornalistas alemães? Não! Eu acho que este é particularmente o caso com jornalistas britânicos, porque eles têm uma relação muito mais próxima. Também é particularmente o caso com jornalistas israelenses. É claro que com jornalistas franceses, mas não tanto como com os jornalistas alemães ou britânicos.

Este é o caso para os australianos, os jornalistas da Nova Zelândia, de Taiwan e de muitos países. Os países do mundo árabe, como a Jordânia, por exemplo, como Omã. Há muitos países onde você encontra pessoas que se dizem jornalistas respeitáveis, mas se você olhar para trás, você vai descobrir que eles são fantoches manipulados pela CIA.

[...]

Desculpe-me por interrompê-lo, dou-lhe um exemplo. Às vezes, as agências de inteligência vêm para o seu escritório e sugerem que você escreva um artigo. Dou-lhe um exemplo, não de um jornalista estranho, mas de mim mesmo. Eu só esqueci o ano. Só me lembro que o serviço de inteligência alemão no exterior, o Serviço Federal de Inteligência da Alemanha (isto é apenas uma organização irmã da Agência Central de Inteligência) veio ao meu escritório Frankfurter Allgemeine em Frankfurt. Eles queriam que eu escrevesse um artigo sobre a Líbia e o coronel Kadafi. Eu não tinha absolutamente nenhuma informação secreta sobre Kadafi e Líbia. Mas eles me deram toda a informação em segredo, só queriam que eu assinasse o meu nome.

Eu fiz isso. Mas foi um artigo que foi publicado no Frankfurter Allgemeine, que originalmente veio do Serviço Federal de Inteligência da Alemanha, a agência de inteligência no exterior. Então, você realmente acha que isso é jornalismo? As agências de inteligência escreverem artigos?

[...]

Oh sim. Este artigo é parcialmente reproduzida no meu livro, este artigo foi “Como a Líbia e o coronel Kadafi secretamente tentam construir uma usina de gás tóxico em Rabta”. Acho que foi Rabta, sim. E eu tenho toda essa informação… foi uma história que foi impressa em todo o mundo, alguns dias depois. Mas eu não tinha nenhuma informação sobre o assunto e foi a agência de inteligência que me sugeriu escrever o artigo. Então isso não é como o jornalismo deve funcionar, as agências de inteligência decidirem o que é publicado ou não.

[...]

Eu tive uma, duas, três … seis vezes a minha casa foi revistada, porque eu tenho sido acusado pelo procurador-geral alemão pela divulgação de segredos de Estado. Seis vezes invadiram a minha casa! Bem, eles esperavam que eu nunca iria me recuperar. Mas eu acho que é pior, porque a verdade virá à tona um dia. A verdade não vai morrer. E eu não me importo com o que acontecer. Eu tive três ataques cardíacos, não tenho filhos. Então, se eles querem me processar ou me jogar na cadeia… é pior para a verdade.

PS do Viomundo: Quem serão as fontes não oficiais da CIA no Brasil?


Fonte: http://www.viomundo.com.br/denuncias/jornalista-alemao-denuncia-controle-da-cia-sobre-midia.html

sábado, 8 de novembro de 2014

Noam Chomsky - A Existência da Humanidade por Um Fio




Filósofo americano Noam Chomsky acredita que a escalada de tensão entre os Estados Unidos e a Rússia poderia desencadear uma guerra nuclear.

"O pior cenário, é claro, seria uma guerra nuclear, o que seria terrível. Os Estados que iniciarem tal conflito  serão ambos exterminados pelas conseqüências. Esse é o pior cenário ", disse ele ao Russia Today, quando perguntado sobre as tensas relações entre Washington e Moscou.

"Esse cenário esteve ameaçadoramente perto várias vezes no passado recente, dramaticamente perto. E isso poderia acontecer novamente, mas não de planejado, mas apenas pelas interações acidentais que acontecem num conflito - que quase já aconteceu ", acrescentou Chomsky.

As duas potências estão em desacordo sobre uma série de questões.

Os Estados Unidos acusam o presidente russo, Vladimir Putin de apoiar as forças pró-russas na Ucrânia. O Kremlin nega a acusação.

Presidente dos EUA, Barack Obama tem repetidamente ameaçado Putin com mais sanções sobre a crise na Ucrânia.

Chomsky disse que as sanções contra a Rússia estavam dirigindo o país em direção ao Oriente, e a estreitar ainda mais as relações com a China.

Ele também observou que os seres humanos têm vivido perigosamente perto de uma guerra nuclear.

"Houve muitos casos sem gravidade, mas que por pouco, onde só a intervenção humana com uma decisão rápida impediu uma guerra nuclear poucos minutos antes. Você não pode garantir que isso vai continuar ", disse o autor bem conhecido.

O comentarista político também alertou para o fim da raça humana.

"É bom lembrar que apenas um século atrás, a Primeira Guerra Mundial estourou através de uma série de tais trocas acidentais. A Primeira Guerra Mundial foi horrível o suficiente, mas a encenação atual do que significa o fim da raça humana ", disse Chomsky.

Fonte: http://www.presstv.ir/detail/2014/11/08/385191/usrussia-rift-end-in-nuke-war-chomsky/