Um produto ideológico faz parte de uma realidade (natural ou social ) como todo o corpo físico, instrumento de produção ou produto de consumo; mas, ao contrário destes, ele também reflete e retrata uma realidade, que lhe é exterior. Tudo o que é ideológico possui um significado e remete a algo situado fora de si mesmo. Em outros termos, tudo o que é ideológico é um signo. Sem signos não existe ideologia
(Mikhail Bakhtin, Marxismo e Filosofia de Linguagem)
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terça-feira, 9 de agosto de 2016

A Inteligência Artificial - O Ovo da Serpente da Extinção Humana

Cientistas da IBM criam neurônios artificiais que 'pensam' sozinhos




Em um estudo publicado nesta semana, pesquisadores da IBM revelaram a criação de um conjunto de mais de 500 neurônios artificiais, capazes de interpretar informações e aprender sozinhos. A descoberta deixa a empresa cada vez mais próxima de desenvolver um sistema computacional capaz de se comportar como o cérebro humano.

Os neurônios artificiais da IBM foram criados a partir de chamados materiais de mudança de fase - isto é, substâncias que podem existir em dois estados diferentes (gasoso e líquido, por exemplo) e trocar de um para o outro com facilidade. A combinação usada pelos cientistas é composta por germânio, antimônio e telúrio.

A material, denominado GST, pode alterar sua composição entre os estados cristalino e amorfo - isto é, sólido, mas sem forma definida. Na primeira fase, o GST (usado na membrana do neurônio artificial) funciona como um isolador de energia elétrica. Já na fase amorfa, o material consegue atuar como um condutor de eletricidade.

Desse modo, com uma membrana capaz de conduzir ou isolar eletricidade, o neurônio artificial pode realizar sinapses a base de impulsos de energia - assim como os neurônios no cérebro humano. Outra semelhança é que os neurônios criados pela IBM não trocam dados digitais, como arquivos de computador, mas apenas informações analógicas, como temperatura e movimento, e são tão pequenos quanto neruônios "de verdade".

Aplicando-se uma fonte de calor a essa população de neurônios, as sinapses acontecem quase que naturalmente. É importante destacar, contudo, que a informação trocada entre elas é puramente aleatória, assim como no cérebro humano. Isso acontece devido ao ciclo de transformações do GST, que altera seu estado entre cristalino e amorfo sempre com alguma diferença. Os cientistas nunca sabem quando uma sinapse será realizada ou entre quais neurônios.

O que torna a descoberta ainda mais impactante é sua eficiência: os materiais usados na criação dos neurônios são facilmente encontrados na natureza ou na indústria; cada célula exige muito pouca energia para operar; a quantidade de informação processada é muito grande, enquanto o processamento é rápido; e tudo isso funciona num espaço físico bem reduzido, em vez de ocupar enormes edifícios repletos de servidores, como os data centers modernos.

Embora esses neurônios ainda não estejam prontos para serem usados em robôs como os de filmes de ficção científica, possíveis aplicações já estão sendo estudadas. O "mini cérebro artificial" da IBM poderia, por exemplo, ajudar na detecção de fenômenos naturais, como terremotos e tsunamis, ou até em sistemas de previsão do tempo mais precisos.

Em teoria, nada impede que esses neurônios sejam usados na fabricação de processadores de computador que tornem PCs, aplicativos ou qualquer dispositivo eletrônico bem mais inteligente, nos aproximando da mítica singularidade. O desafio, porém, ainda é desenvolver o código de software capaz de interpretar as informações analógicas de um "cérebro" como esse.

Via Ars Technica


segunda-feira, 4 de julho de 2016

Stephen Hawking - Inteligência Artificial e Capitalismo - As potenciais ameaças ao futuro da humanidade





Além dos robôs, devemos temer o capitalismo, diz Stephen Hawking


O britânico Stephen Hawking é um dos maiores físicos teóricos da História, diretor do Centro de Cosmologia Teórica na Universidade de Cambridge e vencedor de inúmeros prêmios acadêmicos. Entre os seus trabalhos estão a descoberta que os buracos negros emitem radiação e colaborações em teoremas de singularidade gravitacional.

Nos últimos anos, tem se dedicado ao debate sobre inteligência artificial, mas apesar de todo o conhecimento científico, admite que um mistério muito o intriga: as mulheres.

“Mulheres. Meu assistente pessoal me lembra que, apesar de eu possuir um Ph.D. em Física, as mulheres devem continuar sendo um mistério”, brincou Hawking ao ser questionado por um internauta do fórum Reddit sobre qual seria o mistério que mais o intrigava.

A participação de Hawking no “AMA” (”Ask Me Anything“, pergunte-me qualquer coisa) no Reddit foi anunciada em julho, mas as respostas foram publicadas apenas nesta quinta-feira (7). O físico revelou algumas questões pessoais, como ter “Have I told you lately”, de Rod Stewart, como música preferida, e “Jules e Jim”, na versão de 1962, como filme predileto. E o último programa que considerou hilário não poderia ser outro: “The Big Bang Theory”.

Fora as amenidades, Hawking focou sua atenção nas perguntas sobre inteligência artificial. De acordo com o físico britânico, os riscos envolvidos no desenvolvimento de superinteligências “não são de malícia, mas de competência”. O temor não é que um cientista maluco crie um exército de robôs maus, como em alguns filmes de ficção, mas que as máquinas se tornem tão competentes em alcançar seus objetivos que acabem prejudicando a Humanidade.

“Você provavelmente não é uma pessoa que odeia formigas e pisa nelas por malícia, mas se estiver à frente de um projeto hidrelétrico de energia verde e existir um formigueiro na região que será alagada, azar das formigas”, exemplificou Hawking. “Não vamos colocar a Humanidade na posição dessas formigas”.

O cientista explica que, atualmente, as máquinas são criadas para realizar determinadas tarefas e cumprir metas. O problema, diz o cientista, é que, no futuro, máquinas extremamente inteligentes podem desenvolver formas de adquirir mais recursos para alcançar suas metas mais facilmente, e isso pode se tornar um problema para o homem.

Outro temor é que as inteligências artificiais se tornem melhores que os humanos no desenvolvimento de inteligências artificiais. Se isso acontecer, diz Hawking, “nós talvez enfrentemos uma explosão da inteligência que, por fim, vai resultar em máquinas cujas inteligências vão exceder a nossa mais do que a nossa excede a das lesmas”.

Mas não são apenas as máquinas que devem ser temidas, mas também a ganância humana. Com o desenvolvimento de cada vez mais máquinas, é possível vislumbrar um mundo sem o trabalho, com robôs produzindo bens e riqueza.

“Todos podem desfrutar de uma vida de luxo e lazer se a riqueza produzida pelas máquinas for compartilhada, ou a maioria das pessoas pode acabar miseravelmente pobre se os proprietários das máquinas conseguirem fazer lobby contra a distribuição da riqueza. Até agora, a tendência parece acompanhar a segunda opção, com a tecnologia aumentando cada vez mais a desigualdade”, disse Hawking.