Um produto ideológico faz parte de uma realidade (natural ou social ) como todo o corpo físico, instrumento de produção ou produto de consumo; mas, ao contrário destes, ele também reflete e retrata uma realidade, que lhe é exterior. Tudo o que é ideológico possui um significado e remete a algo situado fora de si mesmo. Em outros termos, tudo o que é ideológico é um signo. Sem signos não existe ideologia
(Mikhail Bakhtin, Marxismo e Filosofia de Linguagem)
Alguns comentários sobre o meio e a mensagem na internet.

terça-feira, 2 de maio de 2017

A Crise do Humanismo - A Corponação e o Lucro


“A era do humanismo está terminando”, por Achille Mbembe


Achille Mbembe (1957, Camarões francês) é historiador, pensador pós-colonial e cientista político; estudou na França na década de 1980 e depois ensinou na África (África do Sul, Senegal) e Estados Unidos. Atualmente, ensina no Wits Institute for Social and Economic Research (Universidade de Witwatersrand, África do Sul).



O artigo foi publicado, originalmente, em inglês, no dia 22-12-2016, no site do Mail & Guardian, da África do Sul, sob o título “The age of humanism is ending” e traduzido para o espanhol e publicado por Contemporeafilosofia.blogspot.com, 31-12-2016. A tradução é de André Langer.

“Não há sinais de que 2017 seja muito diferente de 2016.

Sob a ocupação israelense por décadas, Gaza continuará a ser a maior prisão a céu aberto do mundo.

Nos Estados Unidos, o assassinato de negros pela polícia continuará ininterruptamente e mais centenas de milhares se juntarão aos que já estão alojados no complexo industrial-carcerário que foi instalado após a escravidão das plantações e as leis de Jim Crow.

A Europa continuará sua lenta descida ao autoritarismo liberal ou o que o teórico cultural Stuart Hall chamou de populismo autoritário. Apesar dos complexos acordos alcançados nos fóruns internacionais, a destruição ecológica da Terra continuará e a guerra contra o terror se converterá cada vez mais em uma guerra de extermínio entre as várias formas de niilismo.

As desigualdades continuarão a crescer em todo o mundo. Mas, longe de alimentar um ciclo renovado de lutas de classe, os conflitos sociais tomarão cada vez mais a forma de racismo, ultranacionalismo, sexismo, rivalidades étnicas e religiosas, xenofobia, homofobia e outras paixões mortais.

A difamação de virtudes como o cuidado, a compaixão e a generosidade vai de mãos dadas com a crença, especialmente entre os pobres, de que ganhar é a única coisa que importa e de que ganhar – por qualquer meio necessário – é, em última instância, a coisa certa.

Com o triunfo desta aproximação neodarwiniana para fazer história, o apartheid, sob diversas modulações, será restaurado como a nova velha norma. Sua restauração abrirá caminho para novos impulsos separatistas, para a construção de mais muros, para a militarização de mais fronteiras, para formas mortais de policiamento, para guerras mais assimétricas, para alianças quebradas e para inumeráveis divisões internas, inclusive em democracias estabelecidas.

Nenhuma das alternativas acima é acidental. Em qualquer caso, é um sintoma de mudanças estruturais, mudanças que se farão cada vez mais evidentes à medida que o novo século se desenrolar. O mundo como o conhecemos desde o final da Segunda Guerra Mundial, com os longos anos da descolonização, a Guerra Fria e a derrota do comunismo, esse mundo acabou.

Outro longo e mortal jogo começou. O principal choque da primeira metade do século XXI não será entre religiões ou civilizações. Será entre a democracia liberal e o capitalismo neoliberal, entre o governo das finanças e o governo do povo, entre o humanismo e o niilismo.

O capitalismo e a democracia liberal triunfaram sobre o fascismo em 1945 e sobre o comunismo no começo dos anos 1990 com a queda da União Soviética. Com a dissolução da União Soviética e o advento da globalização, seus destinos foram desenredados. A crescente bifurcação entre a democracia e o capital é a nova ameaça para a civilização.

Apoiado pelo poder tecnológico e militar, o capital financeiro conseguiu sua hegemonia sobre o mundo mediante a anexação do núcleo dos desejos humanos e, no processo, transformando-se ele mesmo na primeira teologia secular global. Combinando os atributos de uma tecnologia e uma religião, ela se baseava em dogmas inquestionáveis que as formas modernas de capitalismo compartilharam relutantemente com a democracia desde o período do pós-guerra – a liberdade individual, a competição no mercado e a regra da mercadoria e da propriedade, o culto à ciência, à tecnologia e à razão.

Cada um destes artigos de fé está sob ameaça. Em seu núcleo, a democracia liberal não é compatível com a lógica interna do capitalismo financeiro. É provável que o choque entre estas duas ideias e princípios seja o acontecimento mais significativo da paisagem política da primeira metade do século XXI, uma paisagem formada menos pela regra da razão do que pela liberação geral de paixões, emoções e afetos.

Nesta nova paisagem, o conhecimento será definido como conhecimento para o mercado. O próprio mercado será re-imaginado como o mecanismo principal para a validação da verdade. Como os mercados estão se transformando cada vez mais em estruturas e tecnologias algorítmicas, o único conhecimento útil será algorítmico. Em vez de pessoas com corpo, história e carne, inferências estatísticas serão tudo o que conta. As estatísticas e outros dados importantes serão derivados principalmente da computação. Como resultado da confusão de conhecimento, tecnologia e mercados, o desprezo se estenderá a qualquer pessoa que não tiver nada para vender.

A noção humanística e iluminista do sujeito racional capaz de deliberação e escolha será substituída pela do consumidor conscientemente deliberante e eleitor. Já em construção, um novo tipo de vontade humana triunfará. Este não será o indivíduo liberal que, não faz muito tempo, acreditamos que poderia ser o tema da democracia. O novo ser humano será constituído através e dentro das tecnologias digitais e dos meios computacionais.

A era computacional – a era do Facebook, Instagram, Twitter – é dominada pela ideia de que há quadros negros limpos no inconsciente. As formas dos novos meios não só levantaram a tampa que as eras culturais anteriores colocaram sobre o inconsciente, mas se converteram nas novas infraestruturas do inconsciente. Ontem, a sociabilidade humana consistia em manter os limites sobre o inconsciente. Pois produzir o social significava exercer vigilância sobre nós mesmos, ou delegar a autoridades específicas o direito de fazer cumprir tal vigilância. A isto se chamava de repressão.

A principal função da repressão era estabelecer as condições para a sublimação. Nem todos os desejos podem ser realizados. Nem tudo pode ser dito ou feito. A capacidade de limitar-se a si mesmo era a essência da própria liberdade e da liberdade de todos. Em parte graças às formas dos novos meios e à era pós-repressiva que desencadearam, o inconsciente pode agora vagar livremente. A sublimação já não é mais necessária. A linguagem se deslocou. O conteúdo está na forma e a forma está além, ou excedendo o conteúdo. Agora somos levados a acreditar que a mediação já não é necessária.

Isso explica a crescente posição anti-humanista que agora anda de mãos dadas com um desprezo geral pela democracia. Chamar esta fase da nossa história de fascista poderia ser enganoso, a menos que por fascismo estejamos nos referindo à normalização de um estado social da guerra. Tal estado seria em si mesmo um paradoxo, pois, em todo caso, a guerra leva à dissolução do social. No entanto, sob as condições do capitalismo neoliberal, a política se converterá em uma guerra mal sublimada. Esta será uma guerra de classe que nega sua própria natureza: uma guerra contra os pobres, uma guerra racial contra as minorias, uma guerra de gênero contra as mulheres, uma guerra religiosa contra os muçulmanos, uma guerra contra os deficientes.

O capitalismo neoliberal deixou em sua esteira uma multidão de sujeitos destruídos, muitos dos quais estão profundamente convencidos de que seu futuro imediato será uma exposição contínua à violência e à ameaça existencial. Eles anseiam genuinamente um retorno a certo sentimento de certeza – o sagrado, a hierarquia, a religião e a tradição. Eles acreditam que as nações se transformaram em algo como pântanos que necessitam ser drenados e que o mundo tal como é deve ser levado ao fim. Para que isto aconteça, tudo deve ser limpo. Eles estão convencidos de que só podem se salvar em uma luta violenta para restaurar sua masculinidade, cuja perda atribuem aos mais fracos dentre eles, aos fracos em que não querem se transformar.

Neste contexto, os empreendedores políticos de maior sucesso serão aqueles que falarem de maneira convincente aos perdedores, aos homens e mulheres destruídos pela globalização e pelas suas identidades arruinadas.

A política se converterá na luta de rua e a razão não importará. Nem os fatos. A política voltará a ser um assunto de sobrevivência brutal em um ambiente ultracompetitivo.

Sob tais condições, o futuro da política de massas de esquerda, progressista e orientada para o futuro, é muito incerto. Em um mundo centrado na objetivação de todos e de todo ser vivo em nome do lucro, a eliminação da política pelo capital é a ameaça real. A transformação da política em negócio coloca o risco da eliminação da própria possibilidade da política. Se a civilização pode dar lugar a alguma forma de vida política, este é o problema do século XXI.”

quarta-feira, 12 de abril de 2017

Bots Sociais - O Inimigo Invisível da Internet




PODER DE AUTOMAÇÃO: INTERFERÊNCIA DE BOTS SOCIAIS NA POLÍTICA GLOBAL



Por Samuel C. Woolley

As formas como softwares sociais automáticos estão sendo implantados, bem como os grupos por trás da implantação, estão mudando. Os pesquisadores de ciência da computação descobriram que os bots sociais podem ser usados além da simples interação homem-bot, rumo a uma garimpagem em larga escala dos dados de usuário e verdadeira manipulação da opinião pública em sites como Facebook e Twitter.

Nos últimos anos, atores políticos do mundo todo começaram a usufruir do poderdigital dos bots (“robôs”) sociais — programas de software concebidos para simular usuários humanos de mídias sociais em plataformas como Facebook, Twitter e Reddit. Cada vez mais, políticos, militares e firmas contratadas pelo governo usam esses atores automatizados em tentativas online de manipular a opinião pública e perturbar a comunicação organizacional. Os bots sociais politizados – aqui chamados de bots políticos – são usados para aumentar maciçamente os níveis de partidários de políticos (ou políticas, ou governos, ou interesses corporativos) nas mídias sociais na tentativa de gerar falsas impressões de popularidade. São programados para inundar ativa e automaticamente os canais de notícias com spams durante crises políticas, eleições e conflitos com o objetivo de interromper os esforços de ativistas e dissidentes políticos que se organizam e publicam online. São empregados por regimes para divulgar propaganda computacional sofisticada. Este estudo faz uma análise do conteúdo de artigos disponíveis na mídia sobre bots políticos para construir uma base de dados de eventos de divulgação de bots políticos globais que os codifica por uso, capacidade e histórico. Tais informações são então analisadas, gerando um esboço global desse fenômeno, que procura explicar a variedade de estratégias políticas orientadas por bots e apresenta detalhes cruciais para oferecer compreensão desses atores automatizados em humanidades, ciências sociais e computacionais.

Introdução: bots, mídia social e política


Em agosto de 2014 o Twitter apresentou um relatório à Comissão Americana do Mercado de Valores Mobiliários (Securities and Exchange Commission) revelando que mais de 23 milhões de contas de usuários ativos no site de networking social da empresa eram, na realidade, bots sociais — um tipo especial de agente automatizado de software elaborado para colher informações, tomar decisões e interagir com usuários reais online e imitá-los. Especialistas em segurança acreditam que os bots geram mais de 55% do tráfego online (Zeifman, 2014). A ubiquidade desses programas em plataformas sociais e na internet em geral é tópico de urgente preocupação para as comunidades acadêmicas e civis interessadas em entender como a automação digital afeta aspectos em particular da cultura, da sociedade e – mais importante neste estudo – da política.

Os bots sociais são diferentes de software de bot mais genéricos da internet. O “bot médio” é usado para coleta de informações. Essas “aranhas” e “raspadores” (spiders e scrapers) dominam muitas facetas cotidianas da internet. Ajudam a gerar preferências personalizadas de notícias e de propaganda online. Facilitam a organização de mecanismos de busca e ajudam a manter as páginas da web. Essa variedade de bots não entra em diálogo com usuários humanos mas podem ser usados para fins políticos. Governos, corporações e outros atores usam bots de monitoramento em coleta de informações, escuta e leitura social para vigiar infrações a direitos autorais (Desouza, 2001; Barford e Yegneswaran, 2007; Stinson e Mitchell, 2007). O principal recurso dessa variedade de bots não é onde se situam, como por exemplo, numa plataforma em particular, mas o que fazem, ou seja, colher e discernir informações.

Os bots sociais têm contato direto com usuários humanos nas plataformas de mídia social e em outros sites, como em seções de comentários de portais de notícias online, fóruns etc. Os primeiros bots de chat, programas de computador capazes de entrar em conversação com usuários humanos, eram uma encarnação rudimentar dessa tecnologia. Tanto os spambots (bots usados para divulgar informações de marketing em uma variedade de plataformas de comunicação online) como bots de piadas ou comentários (bots de mídia social usados para divulgar gracejos ou comentar questões sociais) são exemplos de bots sociais mais recentes e às vezes com melhor design de software.

As formas como essa variedade de softwares sociais automáticos estão sendo implantados bem como os grupos por trás da implantação estão mudando. Os pesquisadores de ciência da computação descobriram que os bots sociais podem ser usados além da simples interação homem-bot, rumo a uma garimpagem em larga escala dos dados de usuário e verdadeira manipulação da opinião pública em sites como Facebook e Twitter (Boshmaf, et al., 2011; Hwang, et al., 2012).

Até cerca de seis anos atrás, os marqueteiros tecnologicamente hábeis usavam os bots sociais para enviar spams óbvios na forma de conteúdo de propaganda automaticamente disseminada (Chu, et al., 2010). Uma crescente coleta de pesquisa recente revela, no entanto, que os atores políticos no mundo inteiro estão começando a se utilizar desses programas de software automatizados em tentativas sutis de manipular relações e opiniões online (Boshmaf, et al., 2011; Ratkiewicz, et al., 2011a; 2011b; Metaxas e Mustafuraaj, 2012; Alexander, 2015; Abokhodair, et al., 2015). Os políticos agora emulam a popular tática do twitter de comprar quantias enormes de bots para aumentar significativamente os números de seus seguidores (Chu, et al., 2012). Militares, firmas contratadas pelo estado e autoridades eleitas usam bots políticos para divulgar propaganda e inundar canais de notícias com spams políticos (Cook, et al., 2014; Forelle, et al., 2015).

Os bots políticos estão entre os avanços tecnológicos mais recentes no cruzamento de política com estratégia digital. Numerosos veículos de notícias no mundo todo têm coberto a implementação de bots governamentais e militares, dando especial atenção ao rápido aumento do uso de tais softwares. Jornalistas, blogueiros e cidadãos-repórteres vêm trabalhando para explicar como os governos e as pessoas que disputam poder utilizam o software em contextos específicos. Segundo reportagens da mídia, os bots políticos estão sendo implantados em vários países, entre eles: Argentina (Rueda, 2012), Austrália (Peel, 2014), Azerbaijão (Pearce, 2013), Bahrain (York, 2011), China (Krebs, 2011), Irã (York, 2011), Itália (Vogt, 2012), México (Orcutt, 2012), Marrocos (York, 2011), Rússia (Krebs, 2011), Coreia do Sul (Sang Hung, 2013), Arábia Saudita (Freedom House, 2013), Turquia (Poyrazlar, 2014), Reino Unido (Downes, 2012), Estados Unidos (Coldeway, 2012) e Venezuela (Howard, 2014). O New York Times (Urbina, 2013) e o New Yorker (Dubbin, 2013) publicaram artigos detalhados sobre a expansão da tecnologia de bots sociais, dando grande exposição a essa importante nova ferramenta política.

Muitos cientistas da computação e formuladores de políticas tratam o tráfego gerado por bots como um aborrecimento a ser detectado e gerenciado. Os administradores de sistemas em empresas como o Twitter trabalham para simplesmente fechar contas que parecem estar rodando por meio de scripts automáticos. Essas abordagens são simplistas demais e evitam o foco nos problemas maiores e sistêmicos apresentados por softwares de bots políticos. Os bots políticos suprimem a livre expressão e a inovação cívica desmobilizando grupos de ativistas e também sufocando a livre expressão democrática. Eles trabalham de forma sutil para manipular a opinião pública dando falsas impressões sobre a popularidade de candidatos, sobre a força de regimes e sobre aspectos de relações internacionais. A interferência na vida pública causada pelos bots políticos é intensificada por inovações em computação e inovações na construção de algoritmos.

Portanto, os bots políticos devem ser entendidos mais a fundo em favor da livre expressão e do futuro do engajamento cívico mediado digitalmente. As informações que existem sobre bots políticos são dispersas e, com frequência, isoladas, dirigidas a eventos nacionais específicos ou para fins eleitorais. Este estudo ajuda a mapear comparativamente a trajetória evolucionária desse novo meio de interesse nos campos de comunicação mediada por computação, comunicação política, ciência da informação, tecnologia e sociedade e ciência da computação.

Muitos estudos em ciências sociais mapeiam a relação entre política contemporânea e tecnologias tanto novas como em evolução analisando reportagens de mídia sobre eventos e ferramentas em questão (Earl, et al., 2004; Krippendorff, 2004; Edwards, 2013; Strange, et al., 2013). O presente estudo assume esse método, realizando uma análise de conteúdo de artigos de notícias confiáveis sobre o uso de bots políticos a fim de formar um conjunto global de eventos codificados por localidade, proliferação e estratégia. A partir dessas informações, apresenta-se uma descrição de trabalho do uso de programas e táticas específicas para cada situação.

Revisão da literatura


O fundamento conceitual deste projeto reside na convergência da literatura recente de dois subcampos de comunicação: comunicação política e estudos de ciência, tecnologia e sociedade. O trabalho para rastrear e desmascarar bots sociais, particularmente por parte de pesquisadores de computação e informática, também é de interesse para este projeto.

As ideias no centro de tal pesquisa são importantes para trabalhar com bots políticos na medida em que abordam, de maneira única, argumentos relacionados ao modo como o potencial político do mundo em rede e as possibilidades da tecnologia e de algoritmos associados à internet têm sido classificados em uma escala que vai de democraticamente libertadores até civicamente repressivos. Dito isso, relativamente pouco trabalho acadêmico – especialmente pesquisa qualitativa empírica focando nas considerações sociopolíticas fundamentais – tem sido realizado a respeito de bots sociais dentro do contexto do campo de comunicação ou no campo sociocientífico.

Os pesquisadores de mídia têm se preocupado com o estudo da propaganda pelo menos desde o trabalho precursor de Lippman (1922) e Lasswell (1938). Essa pesquisa continuou em disciplinas relacionadas a política e se estendeu à disseminação da propaganda via mídia digital e internet (Kalathil e Boas, 2001, 2003; Hood e Margetts, 2007). O estudo de bots políticos retoma essa linha de pesquisa para averiguar as maneiras como essa tecnologia social em particular, online e automatizada, é usada em esforços para promover mensagens patrocinadas por estados (e políticos) no mundo todo. Esta pesquisa segue uma linha contemporânea de estudos midiáticos focados na relação de algoritmos com consumo de notícias, consciência política e compreensão cultural (Gillespie, 2014; Gillespie, et al., 2014).

Muitos pesquisadores têm explorado a ideia de que a mídia digital tem potencial de possibilitar mudanças significativas em cenários políticos tanto locais como globais (Howard e Hussein, 2013; Joyce, et al., 2013). A comunicação contemporânea assumiu a ideia de que o mundo em rede suporta um novo tipo de comunicação mediada, o modelo “muitos para muitos” da “nova” mídia. No entanto, desenvolvimentos no estudo da internet afastaram os pesquisadores do sentimento de ciberutopia que dominou os anos 1990 e o início da década de 2000, direcionando-os a uma abordagem que considera as possibilidades do modo como usos em particular de tecnologia e sistemas de mídia podem, em conjunto, reforçar a liberdade democrática, promover controle autoritário e suportar decisões tanto de poder quanto liberalizantes ou emancipatórias (Turner, 2010).

Benkler (2006) argumenta que a esfera em rede apresenta um espaço anteriormente não disponível para ação individual descentralizada, mas não discute os perigosos potenciais políticos e econômicos da tecnologia digital de bots. Sugere que “é importante entender que qualquer consideração dos efeitos democratizantes da Internet deve medir seus efeitos em comparação com a esfera pública comercial baseada em mídia de massa, e não em comparação a uma utopia idealizada adotada por nós na década passada sobre como a internet poderia ser.” [1] Em outras palavras, a esfera comercial tem efeitos muito reais na internet e vice-versa. Os bots são um exemplo de tecnologia que surgiu a partir de empreendimentos comerciais, basicamente marketing por meio de spam, e que foi explorada para manipulação sociopolítica.

A pesquisa demonstra que as possibilidades libertadoras da internet são, realmente, mais delimitadas por atores tradicionais de poder, tais como estados e empresas (Hindman, 2008). Na realidade, algumas pessoas argumentam que tem ocorrido normalização política generalizada online – que um pequeno número de elites poderosas controla a política online da mesma forma que o fazem offline (Wright, 2012). De fato, estados que exerceram firme controle sobre o desenvolvimento da internet desde o princípio tiveram êxito em controlar o discurso na rede (Kalathil e Boas, 2003). Os bots políticos são a última versão da tecnologia digital a ser explorada por estados e outros atores políticos poderosos — incluindo militares, políticos e corporações detentoras de contratos públicos na condição de fornecedoras, concessionárias, permissionárias etc. — na tentativa de exercer controle sobre o público e entre si também. O fato que a tecnologia de bots usa poder computacional sofisticado, automatizado e paralelo é especialmente preocupante. Tais capacidades possibilitam a habilidade de perturbar massivamente os debates políticos online e rapidamente reunir e analisar informações sobre os cidadãos.

Argumentos específicos sobre como os atores políticos estão usando bots políticos para influenciar a opinião pública online são fundamentais para entender o papel cada vez mais disseminado dos bots políticos. Os pesquisadores de ciência da computação têm notado que os bots sociais são eficientes para atacar, apropriar-se e alterar o diálogo em sites de relacionamento social (Wagner, et al., 2012). Metaxas e Mustafaraj (2010) esquematizam de forma eficiente um caso exemplar ocorrido nos EUA desse tipo de disseminação de propaganda. Sua pesquisa analisa o papel dos bots sociais ou “fantoches” na propagação de informações políticas tendenciosas e distorcidas durante a corrida para o senado de Massachusetts em 2010, entre os candidatos Brown e Coakley. Descobriram que grupos políticos Astroturf (disfarçados) [2] que apoiavam Brown usaram bots para lançar expressivos ataques à campanha de Coakley pela mídia social.




Ratkiewicz, et al. (2011a; 2011b) fizeram um trabalho notável ao revelar como tais movimentos Astroturf se propagam através do uso de programas automatizados de software. Seu trabalho tem sido instrumental para revelar as formas como as conversações online estão sendo interrompidas e manipuladas por comportamento abusivo, habilitado e dirigido de maneira computacional. O sistema do grupo, “Truthy”, trabalha para descobrir propaganda computacional — na forma de informações errôneas na mídia social — através de análise do conteúdo online. Ferrara, et al. (2014) esquematizam a maneira como novas iterações de bots sociais são usadas e é preciso notar que os bots podem ser empregados, e são realmente usados, em esforços para enganar e caluniar usuários humanos. Sugerem que os modernos bots sociais são cada vez mais sofisticados e que o uso pernicioso dos bots sociais ameaça as esferas sociais tanto online como offline.

Os pesquisadores da ciência da informação mapearam o uso de bots políticos no conflito sírio em curso e argumentam que esse caso sugere que a tecnologia está se tornando mais eficiente em mirar vítimas e cooptar comportamento humano (Abokhodair, et al., 2015). Análises de redes sociais revelaram o gigante “exército de trolls” do governo russo, uma enorme coleção de bots usados para divulgar desinformação tanto dentro da Rússia com fora (Alexander, 2015; Borthwick, 2015). A pesquisa feita por Forelle, et al. (2015) revela que os bots têm uma pequena mas notável participação em moldar as conversações em mídia social na Venezuela. Verkamp e Gupta (2014) examinam vários incidentes de divulgação de spams durante momentos de ativismo online e determinam que atores políticos usaram bots nessas circunstâncias a fim de abafar a dissidência.


Questões de pesquisa

Como os bots sociais são implantados por poderosas elites políticas durante eventos políticos globais, especialmente eleições?

Que tipos de atores de governos implantam bots políticos e por quê?

Que estratégias políticas em particular são empregadas em campanhas acionadas por bots?

Metodologia

Este projeto emprega análise qualitativa de conteúdo de um conjunto de artigos de notícias em inglês sobre uso político de bots. Este método de coletar e analisar qualitativamente o conteúdo disponível em reportagens de mídia a fim de formar compreensão da nova tecnologia política em evolução está bem estabelecido nas ciências sociais, sendo particularmente útil para gerar compreensões socialmente específicas de ação política, inovação de mídia e controle digital (Herring, 2009; Strange, et al., 2013).

Lexus Nexus e os três maiores mecanismos de busca — Google, Yahoo e Bing — foram usados em combinação para colher e construir uma amostra de todos os artigos disponíveis orientados por notícias sobre bots políticos. As pesquisas foram conduzidas usando-se combinações com objetivos específicos dos seguintes termos e expressões relacionadas ao assunto em questão: automação, algoritmo, bot, Facebook, conta falsa de mídias sociais, governo, agente inteligente, software de gestão de persona, política, propaganda, Reddit, bot social, mídias sociais, fantoche, troll, Tumblr, Twitter, bomba de Twitter, bot de Twitter.

A construção desse conjunto de dados é modelada em um estudo de duas partes realizado por Joyce, et al. (2013) e Edwards, et al. (2013) conhecido como o “Projeto de Conjunto de Dados de Ativismo Digital Global”. Essa iniciativa de pesquisa produziu dados para Howard e Hussain (2013). O projeto usa amostragem com objetivos específicos e análise qualitativa de conteúdo para construir uma planilha codificada de variáveis específicas que ocorrem em notícias sobre redes durante eleições e crises políticas.

Uma amostra de 41 notícias compôs o conjunto de dados final. A amostra foi retirada de um grupo de 48 matérias, de 44 fontes exclusivas, que foram codificados para fins de credibilidade. Como o uso político de bots é um fenômeno emergente, a quantia de artigos em inglês disponíveis sobre o assunto era pequena, o que levou a uma amostra menor do que de costume para análise de conteúdo tradicional. Dito isso, os artigos disponíveis foram inteiramente examinados quanto a viés midiático e seu conteúdo era rico.

Metodologicamente, este relatório é similar ao trabalho de Joyce, et al. (2013), substituindo aqui a pesquisa sobre ativismo digital por campanhas políticas com bots: diferente de muitas análises de conteúdo, nas quais a unidade de análise e a unidade de observação são as mesmas, neste estudo as duas são diferentes. A unidade de análise é a campanha de ativismo digital [aqui, bot político], enquanto que a unidade de observação é a reportagem sobre essa campanha. Significa que estudamos nossas campanhas digitais [bot político] indiretamente. Tal viés midiático é uma preocupação legítima que foi mitigada confiando-se em uma variedade de veículos de notícias e em fontes amadoras e profissionais, mas o viés não pôde ser completamente anulado. Usar esse método significa que só podemos dizer se há ou não evidência de uma descoberta em particular nas fontes que foram revisadas.

O grupo final de artigos foi então codificado quanto a identificadores, tratando as reportagens de mídia como casos na linha de pesquisa de análise de conteúdo usada por Herring (2009) e continuada por Edwards, et al. (2013). Devido à natureza dos bots políticos como fenômeno emergente, a amostra foi tratada como teórica, o que significa que foi intencional e exploratória por natureza.

Os casos foram intencionalmente, e não ao acaso, codificados pelo autor do estudo para esse exercício de teste a fim de desenvolver uma compreensão de trabalho dos bots políticos, que absolutamente não se destina a ser um exercício definitivo tampouco perfeito. Diferente disso, a meta aqui é estabelecer os primeiros padrões do uso de bots políticos para um esforço mais amplo de pesquisa sobre esse fenômeno. A Equipe de Pesquisa sobre Propaganda Computacional da Universidade de Washington usará essas provas de trabalho como semente para uma futura análise de conteúdo mais sofisticada, mais ampla e triplamente codificada baseada em um esforço de pesquisa examinando mais de 100 casos de uso de bots políticos.

Aqui os códigos incluem o histórico de produção de bots políticos, capacidade e uso. Essas características são então codificadas por caso, por país e por ano de ocorrência. Este relatório classifica as diferentes maneiras como governos em particular vêm implantando bots em sites de mídia social durante momentos de crises políticas ou eleições.

Os artigos receberam nota de credibilidade de 1, 2 ou 3, sendo que 1 seria o mais confiável e 3 o menos confiável. Esse sistema de classificação também foi tomado dos métodos de um estudo semelhante sobre ativismo digital global, completado pelo Projeto de Pesquisa sobre Ativismo Digital (Joyce, et al., 2013; Edwards, et al., 2013). Os artigos classificados com nota 1 provinham das principais agências de notícias em inglês incluindo a ABC, Al Jazeera, Associated Press, BBC News, Forbes, Guardian, Los Angeles Times, NBC, New York Times, ProPublica, Sydney Morning Herald, Times, Wall Street Journal, Washington Post e Wired. Os artigos que receberam nota 2 provinham de sites de notícias menores, em inglês, mais orientados para comentários bem como de blogs conhecidos, geralmente mantidos por jornalistas, acadêmicos ou especialistas em segurança. Esses artigos foram encontrados em Atlantic, Dailydot.com, Gizmodo.com, GlobalVoices.org, InsideCroydon.com, KrebsonSecurity.com, Mashable.com, MIT Technology Review, Motherboard.Vice.com, New Yorker, Slate.com, ThinkProgress.org, e Verge.com. Os artigos que tiveram nota 3 provinham de menções em mídia social — principalmente do Facebook, Reddit, e Twitter — e também vinham de fazendas de conteúdo, páginas “de isca” e blogs pessoais ou partidários. Somente artigos com nota 1 foram incorporados na amostra final de artigos sobre bots políticos.

Em um esforço conjunto para evitar a tendenciosidade de seleção e de descrição e para entender o potencial para instâncias específicas, este artigo segue o trabalho de Earl, et al. (2004) e Joyce, et al. (2013) na escolha de um conjunto de artigos codificados como reportagens de mídia tanto profissionais como amadoras. Para fortalecer os resultados apurados a partir de buscas, empregam-se técnicas estabelecidas de análise de conteúdo online para explicar a codificação e acesso a mídia pela internet (Herring, 2009). Especificamente, esta pesquisa faz uso de técnicas para codificar artigos de blogs e usa hyperkinks relevantes dentro dessas fontes fidedignas como referentes para maiores estudos (Joyce, et al., 2013).

Ao estabelecer as melhores instâncias de uso de bots políticos, foi útil separar os casos por país. A Tabela 1 abaixo utiliza conclusões analíticas retiradas de relatos de mídia para listar as instâncias selecionadas em que se alega o uso de bots por parte de governos ou outros atores políticos poderosos. Indica alguns detalhes políticos pertinentes sobre cada país.

A Tabela 1 identifica instâncias de uso de bots políticos por país. Instâncias exclusivas identificam o uso de bots políticos em um país em particular onde havia disponíveis dois ou mais artigos de notícias confiáveis sobre o uso de bots específicos desse país. As instâncias exclusivas de uso de bots estão mencionadas na primeira coluna. A coluna 1 identifica o país de uso de bots em ordem alfabética; a coluna 2 indica o ano em que se usaram bots. A coluna 3 identifica o tipo de governo em cada país, indicando qual é o país mais democrático (10) ou mais autocrático (-10). Esses dados provêm do estudo de status de autoridade do estado Polity IV (2012). A coluna 4 indica o ator que se acredita que tenha implantado os bots políticos. A coluna 5 indica fontes em particular de onde veio a informação. Essa tabela serve como visualização geral dos atributos comparáveis de uso de bots específicos por país.

Há algumas instâncias que requerem maiores explicações. O uso de bots na China se concentra somente em casos de bots políticos sendo usados dentro e fora da China por atores do governo chinês. A instância tibetana se concentra em bots chineses sendo usados no conflito tibetano. Também se deve notar que a Rússia e a Venezuela estão listadas entre Democrático e Autocrático na coluna 3 devido a suas notas intermediárias de Polity IV.


Tabela 1: incidentes selecionados de uso de bots políticos, por país.
PaísAno do usoClassificação Polity IV(10 democrático; -10 autoritário)Suspeito da implantaçãoFonte
Argentina20128EstadoRueda, 2012
Austrália201310EstadoPeel, 2013
Azerbaijão2012−8EstadoPearce, 2013
Bahrain2011−8Estado, terceirizado para empresaYork, 2011
China2012−8EstadoKrebs, 2011
Iran2011−6Estado, terceirizado para empresaYork, 2011
Itália201210PolíticoVogt, 2012
México20118Partidos políticosHerrera, 2012
Marrocos2011−6Estado, terceirizado para empresaYork, 2011
Rússia20114EstadoKrebs, 2011
Arábia Saudita2013−10EstadoFreedom House, 2013
Coreia do Sul20128EstadoSang-Hun, 2013
Síria2011−8Estado, terceirizado para empresaYork, 2011
Tibete2012−8EstadoKrebs, 2011
Turquia20149EstadoPoyrazlar, 2014
Reino Unido201210EstadoDownes, 2012
Estados Unidos201110Estado, terceirizado para empresaColdewey, 2012
Venezuela20122EstadoShields, 2013

Constatações e análise

Há coesão na maneira de os autores reportarem sobre como os bots políticos foram usados de país para país. Governos e outros atores políticos na maioria das vezes plantavam bots políticos durante eleições ou momentos de debates/conflitos políticos ou crises específicas de um país. É digno de nota que alguns artigos também falavam de instâncias em que os bots políticos foram usados para fins de segurança preventiva online. Por exemplo, o governo sírio alegadamente tem usado bots para gerar propaganda pró-regime destinada a metas internas e externas no Twitter durante a revolução em curso (Abokhodair, et al., 2015). Os bots políticos venezuelanos descreviam foco exclusivamente em tentativas de manipular a opinião pública no estado (Forelle, et al., 2015). Vários jornalistas reportaram que políticos na Austrália, Itália, Reino Unido e EUA compraram falsos seguidores de mídias sociais orientados por bots na tentativa de parecerem mais populares para os eleitores.

As diferentes maneiras como os bots políticos vêm sendo usados variam de país para país e de instância política para instância política. Durante eleições, os bots políticos são usados para desmobilizar os seguidores de partidos adversários. Nesse caso, o implantador envia “bombas” pelo Twitter: enxurradas de tweets provindas de uma imensidão de contas acionadas por bots. Esses tweets cooptam tags comumente usadas por partidários de agremiações contrárias e reenviam tweets milhares de vezes numa tentativa de impedir a organização entre os detratores. Por exemplo, se um ator político nota que os partidários de um oponente usam consistentemente a tag #freedomofspeech em mensagens, então esse ator pode fazer um exército de bots para prolificamente fazer re-tweet com essa tag específica. O efeito é que os partidários do oponente têm muita dificuldade de buscar tags comuns na tentativa de organizar e se comunicar com seus correligionários.

Muitos casos de uso de bots políticos ocorrem quando os governos objetivam ameaças percebidas de ciber-segurança ou ameaças político-culturais de outros estados. Vários artigos mencionam implantação de bots russos sancionados pelo estado. Nesses artigos, os bots russos foram supostamente usados para promover ideais do regime ou combater o discurso anti-regime contra objetivos no exterior. Alexander (2015) e Borthwick (2015) mencionam exemplos com atenção especial a redes e detalhes dos objetivos almejados. Os bots políticos chineses têm atacado vários outros países e entidades comerciais na Ásia e no Oriente (Krebs, 2011). Atores políticos no Azerbaijão, Irã e Marrocos alegadamente usaram bots na tentativa de combater discursos anti-regime e promover os ideais do estado (York, 2011; Pearce, 2013).

Os governos, políticos e fornecedores também usam bots políticos para atacar alvos dentro do país na mídia social. Descrições de uso de bots no México são especialmente representativas dessa estratégia automatizada. Segundo numerosas fontes, o governo mexicano tem usado exércitos de bots para abafar a dissidência pública e silenciar efetivamente a oposição através de táticas de spams. Os “Peñabots”, assim chamados por causa do presidente mexicano Enrique Peña Nieto, também têm sido usados para divulgar propaganda pró-governo. Na Turquia, os jornalistas reportam que tanto o governo do presidente Recep Tayyip Erdogan como agentes do Exército Republicano do Povo, oposição, vêm usando bots políticos uns contra os outros em um esforço para espalhar propaganda e combater críticas. Na China, no Tibete e em Taiwan, os bots têm sido usados para anular movimentos por soberania enquanto promovem ideais de estado. Segundo Krebs, “Os simpatizantes tibetanos […] notaram que várias hashtags do Twitter relacionadas ao conflito — incluindo #tibet e #freetibet — agora são tão constantemente inundados com tweets de contas do Twitter aparentemente automatizadas que as hashtags deixaram de ser um modo útil de rastrear o conflito.”

Bots políticos têm sido usados durante eleições para divulgar mensagens de microblogs pró-governo ou pró-candidatos. Um artigo do New York Times (Sang-Hun, 2013) aponta alegações de promotores do estado sul-coreano de que “agentes do Serviço de Inteligência Nacional da Coreia do Sul postaram mais de 1,2 milhão de mensagens no Twitter ano passado para tentar desviar a opinião pública em favor de Park Geun-hye, na época candidata presidencial, e seu partido antes das eleições de 2012.” Guen-hye acabou por conquistar a presidência [sofreu impeachment em 10 de março de 2017], mas o chefe da inteligência a cargo do esforço impulsionado por bots foi preso.

Bots políticos também têm sido usados durante eleições para incrementar as listas de seguidores de mídia social dos políticos. Nesse caso, os políticos compram seguidores de bots — que simulam usuários humanos reais — na tentativa de parecerem mais populares ou relevantes. Há vários exemplos notáveis. Segundo Downes (2012), Lee Jasper, candidato no Reino Unido, usou bots para incrementar o número de seus seguidores no Twitter para “dar a falsa impressão de popularidade de sua campanha”. Coldeway (2012) detalha um lance semelhante aplicado por Mitt Romney, antigo candidato à presidência americana, no qual se usaram bots políticos para inflacionar o número de seguidores das mídias sociais. Segundo Coldeway, “[em] mais de 24 horas, iniciando-se no dia 21 de julho, o presumido indicado republicano conquistou quase 117 mil seguidores — um aumento de aproximadamente 17%.” Esse enorme e rápido aumento de partidários foi imediatamente notado pelos blogueiros. Os oponentes atribuíram tal aumento a bots plantados por firmas especializadas em campanhas eleitorais ou marketing político. Os partidários da campanha de Romney declararam que a inflação gerada por bots veio de detratores em uma tentativa de desacreditar o candidato.

As maneiras como os bots políticos têm sido usados em outras instâncias de desobediência civil e crises de segurança são notavelmente semelhantes às formas como têm sido usados durante eleições. O artigo de York (2011) no Guardian nota que certos governos que enfrentaram protestos durante os movimentos da Primavera Árabe usaram bots políticos em combinações das formas mencionadas anteriormente. Não apenas os governos da Síria, Bahrain, Irã e Marrocos usam bots para impedir organização pelo Twitter bombardeando a oposição com spams, mas também os empregam para espalhar grandes quantidades de tweets em favor do governo.


Tabela 2: Instâncias e formas como se usaram bots políticos
PaísInstância em que
se usaram bots
DesmobilizaçãoMensagens pró-governoAumento no número de seguidores
ArgentinaSuporte a políticos / protestoXX
AustráliaEleiçãoX
AzerbaijãoProtestoX
BahrainProtestoXX
ChinaEleição/protesto/segurançaXX
IrãProtestoXX
ItáliaSuporte a políticosX
MéxicoEleiçãoXXX
MarrocosProtestoXX
RússiaEleição/protesto/segurançaXX
Coreia do SulEleiçãoXX
SíriaProtestoXX
TibeteProtestoX
TurquiaSuporte político/protestoXXX
Reino UnidoEleiçãoX
EUAEleição/segurançaX
VenezuelaEleição/protestoXX

Um exame da tabela 2 sugere que os atores de governos em países com histórico mais longo de democracia— Austrália, Itália, Estados Unidos e Reino Unido — têm maior probabilidade de usar somente, ou exclusivamente, bots para incrementar os seguidores de mídia social [Nota do Editor: a propósito, recomenda-se a leitura dos mais recentes relatórios do Wikileaks sobre a ação digital coordenada das agências de vigilância e inteligência dos Estados Unidos]. Os países classificados pelas entidades políticas como mais democráticos, como a Argentina, México ou Coreia do Sul, incluem atores que também usam bots para desmobilização de oposição e para divulgar mensagens pró-governo ou mensagens de candidatos. Os atores em países classificados como mais autoritários, como Rússia, China e Venezuela, também se envolvem nesse tipo de uso de bots políticos. Países firmemente autoritários, como Azerbaijão, Bahrain e Arábia Saudita, tendem a não usar bots políticos para inflacionar o número de seguidores de mídia social. Os atores dentro desses governos, ou relacionados a eles, tendem a usar bots para enviar mensagens a favor do governo e desmobilizar a oposição.

Conclusão


Este projeto de pesquisa demonstra como os artigos na mídia moldam a forma com a qual os bots impactam os sistemas sociais e países em particular onde são implantados. Detalha como contas específicas de notícias dessa propaganda computacional, divulgada por atores políticos usando bots políticos, permite controle globalmente. As formas como certos atores políticos orientados pelo estado fazem uso de bots políticos são exploradas neste documento.

Há muitas vias em potencial para prosseguir a pesquisa nessa arena. Os planos para outros estudos poderiam examinar como certos casos de uso de bots políticos em um país podem ter afetado a implementação e uso em outros países. Outro projeto poderia residir na construção de um modelo de previsão de uso de bots em futuras eleições. A cada ano vemos numerosas eleições contestadas em algum grau. Várias dessas eleições ocorrem em países com regimes autoritários e em democracias emergentes. Seria interessante trabalhar no sentido de prever o uso de bots nessas futuras eleições e determinar qual o impacto potencial que tal uso teria nos resultados eleitorais. O prosseguimento dos estudos de bots políticos é, sem duvida, uma área rica e necessária para pesquisa acadêmica continuada.

Samuel C. Woolley é doutorando no Departamento de Comunicações na Universidade de Washington (UW). Sua pesquisa trata basicamente de mídia digital, política e cultura. Ele é gerente do Projeto de Pesquisa de Bots Políticos, apoiado pela Fundação Nacional para a Ciência na Universidade de Washington e gerente do Projeto de Pesquisa de Propaganda Computacional, apoiado pelo Conselho Europeu de Pesquisa no Instituto de Internet de Oxford. É pesquisador do Projeto de Pesquisa sobre Ativismo Digital e coordenador da comunidade universitária de aprendizado e pesquisa no Centro para Comunicação e Engajamento Cívico. E-mail:samwooll@uw.edu



Notas:

Benkler, 2006, p. 10.


“Astroturfing é a prática de mascarar os patrocinadores de uma mensagem ou organização (como política, propaganda, religião ou relações públicas) para fazer parecer que se origina e é apoiada por participantes de base.” De “Astroturfing,” em https://en.wikipedia.org/wiki/Astroturfing, acessado em 8 de março de 2016 pelo Tradutor.

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Histórico editorial:


Original em inglês publicado em First Monday, volume 21, número 4, abril de 2016. Recebido em 2 de setembro de 2015; revisado em 22 de fevereiro de 2016; revisado em 16 de março de 2016; aceito em 18 de março de 2016. Versão em português publicada na revista Com Ciência em 27 de março de 2017: curadoria da pesquisadora Marta Kanashiro, tradução de Amin Simaika e revisão do editor Ricardo Whiteman Muniz.


Fonte: http://www.comciencia.br/poder-de-automacao-interferencia-de-bots-sociais-na-politica-global/#more-1073